Mercado

Indústria de máquinas reduz gasto com feiras

Após registrar em 2005 o pior resultado em 10 anos, as indústrias de máquinas agrícolas devem reduzir drasticamente seus gastos com promoção de produtos este ano. As empresas estão prevendo uma forte redução na participação em feiras e exposições, uma das principais ferramentas de venda dos equipamentos.

A Anfavea projeta que as vendas de 2006 devem igualar ou, no máximo, ser levemente superiores às de 2005. Não é uma projeção otimista. No ano passado, foram vendidos 17.728 tratores de rodas (queda de 40% em relação a 2004) e 1.534 colheitadeiras (73% menos).

Na Massey Ferguson, líder de vendas no setor, a previsão de investimentos em feiras agrícolas neste ano foi reduzida em 20% em relação a 2005. O gerente de comunicação da companhia, Paulino Jeckel, diz que a Coopavel, a primeira feira do circuito, que começa no dia 13 de fevereiro em Cascavel (PR), será um grande termômetro de como será o ano para o comércio de máquinas. Ele destaca que a perspectiva é boa para a Agrishow de Ribeirão Preto, por conta de culturas como café, cana e da fruticultura. Ele lembra que, no ano passado, a companhia vendeu muitos tratores de médio porte no Nordeste para as culturas irrigadas de frutas no São Francisco, cuja produção é voltada para a exportação. Jeckel observa, porém, que apesar de estes nichos de mercado terem um bom desempenho em volume, o faturamento ainda é menor.

Na Case CNH Latin America, a prioridade para este ano serão as edições da Agrishow Cerrado e de Ribeirão Preto, além da Expointer. A CNH também reduziu em 20% seus investimentos em feiras agrícolas, na mesma proporção da verba destinada para o departamento de marketing, diz Milton Rego, diretor do departamento de comunicação da companhia. Segundo ele, no ano passado a CNH já havia cortado os investimentos para estes eventos em 35%. “Em dois anos, a redução supera os 50%”, destaca.

Para o chefe do departamento de financiamento de máquinas e equipamentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Claudio Leal, o pior já passou. “A busca por financiamentos para programas agrícolas, para silos, armazenagem, preparo do solo, máquinas agrícolas entre outros, caiu 37% em 2005 ante o ano anterior”, diz.

Segundo ele, o Moderfrota, que detém o maior orçamento do BNDES para financiar a renovação da frota de tratores e colheitadeiras, teve uma queda de 18% no período. No Plano de Safra Agrícola e Pecuário 2005/06, do Ministério da Agricultura, foram destinados R$ 5,5 bilhões para o Moderfrota.

A Kepler Weber, líder no setor de silos e armazéns, vai abrir mão de duas feiras este ano: as edições da Agrishow Comigo, em Rio Verde (GO), e de Luís Eduardo Magalhães (BA). Mesmo assim, segundo o gerente de marketing da empresa, Adriano Mallet, o volume investido para participação em feiras será mantido. A Kepler Weber estará p resente n a Agrishow de Ribeirão Preto; Coopavel; Expointer, Expodireto; na feira do setor de logística Intermodal; na Fenasucro; na Feriagro, da Argentina; e em mais duas feiras no Paraguai.

A Agrishow Ribeirão Preto continua sendo a principal feira do setor, principalmente pelo seu peso político. A exemplo do que ocorreu na última eleição majoritária, pela feira devem passar este ano os principais candidatos à Presidência da República.

No ano passado, a feira fechou com um movimento de R$ 760 milhões, valor que ficou 40% abaixo do verificado em 2004 (R$ 1,288 bilhão), reflexo da crise que a agricultura atravessou.

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