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Hidrovia retoma fluxo normal em janeiro

O transporte fluvial na Hidrovia do Rio Paraguai retoma seu fluxo normal a partir de janeiro do próximo ano, segundo os operadores. O movimento de grandes comboios com soja, açúcar, farelo de soja e minério está paralisado desde o início de novembro, quando o Rio Paraguai na régua centenária de Ladário atingiu, no dia 3, o nível mínimo de 0,88 centímetros – um dos menores das últimas três décadas.

A seca prolongada na Bacia do Alto Paraguai, depois de uma cheia intensa e atípica (o volume de água do Rio Paraguai não refletiu as inundações na planície, por conta de maior precipitação de chuvas localizadas), está prejudicando também o abastecimento da Bolívia com óleo diesel importado da Argentina e Paraguai, que chega à fronteira com Corumbá pela hidrovia.

A restrição da navegação, com o calado de 6,5 centímetros, exige a redução dos comboios e essa medida de segurança inviabiliza o tráfego de 16 barcaças, autorizados pela Marinha no trecho Corumbá-Assunção (Paraguai). Para esta composição, o calado do rio deve estar com mínimo de 7,10 centímetros. O transporte de cargas reduziu em até 60% em novembro.

“Chegamos a reduzir os comboios para nove barcaças, com transbordo de cargas, mas enfrentamos problemas em trechos críticos no Paraguai, e decidimos suspender as operações”, disse o diretor da Cinco Bacia (controlada pela argentina Fluviomar), de Ladário, Luiz Carlos Assy. Segundo ele, a empresa deixará de faturar U$5 milhões entre outubro e dezembro.

Produção estocada

A Cinco Bacia, uma das principais operadoras do trecho da Hidrovia Paraguai-Paraná entre Cáceres (MT)-Nueva Palmira (Uruguai), de 3.442 km, estima que o prejuízo represente 70 mil toneladas que deixam de ser transportadas, grande parte de minério. A mineradora MCR (Rio Tinto) deu férias coletivas até janeiro para 70% dos funcionários por conta dessa paralisação.

O comportamento do Rio Paraguai (subiu 23 centímetros em cinco dias), no entanto, anima quem depende da hidrovia. O gerente da Granel Química, cujo terminal situa-se em Ladário, Luiz Carlos Dresch, acredita que na primeira semana de janeiro a via natural estará operando normalmente. A empresa estoca em seu pátio 50 mil toneladas de minério e cinco mil toneladas de ferro-gusa.

Ontem, o nível do rio em Ladário era de 1,48 centímetros, ainda 54 centímetros abaixo de seu fluxo normal. O volume de chuvas no alto Paraguai (MT), no entanto, projeta uma condição favorável de navegação no primeiro mês de 2008. Em Cáceres, somente em um dia, na semana passada, o rio subiu 22 centímetros, e estava ontem com 55 centímetros acima do nível de redução.

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