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Hidrovia é 8 vezes mais barata que rodovia

Estudo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) revela que o transporte de etanol feito por hidrovia é oito vezes mais barato e três vezes menos poluente que o realizado por meio de rodovias. O levantamento aponta também que os portos “naturais” para o escoamento do produto são Ilha Grande (RJ) e São Sebastião (SP).

De acordo com o autor do estudo, Newton Narciso Pereira, foram comparados os impactos econômico e ambiental entre os dois modais. “O cálculo foi feito onde a rodovia corre paralela ao fluvial. O rodoviário, pela nossa avaliação, acontece apenas nas pontas. No meio, a hidrovia é mais barata”, explicou.

Segundo o autor, cada comboio de barcaças pode transportar entre 20 mil e 30 mil metros cúbicos, volume que, na rodovia, representa de 220 a 250 carretas. Entretanto, o obstáculo ao crescimento da movimentação de etanol por via fluvial é a velocidade. Enquanto as barcaças navegam a 10 Km/h o caminhão vai a, no mínimo, 80 Km/h.

Ainda baseado no estudo, o etanol produzido no Interior paulista terá maior competitividade se escoado pelos portos de São Sebastião ou Ilha Grande (RJ). “Eles já tem instalações dutoviárias próprias. Talvez seja preciso melhoramentos”.

Antes de descer aos portos, o etanol terá de chegar ao terminal fluvial de Conchas, que conecta a refinaria de Paulínia por dutos, e de lá seguir aos terminais portuários.

SP prevê fechar 2007 com 12,5% de aumento – O Governo do Estado prevê que a movimentação da hidrovia Tietê-Paraná – a sua principal – deve fechar este ano com um incremento de 12,5% nas suas operações, saindo de 4 milhões de toneladas operadas ano passado para 4,5 milhões de toneladas. A administração paulista também planeja escoar “boa parte da produção de etanol” pelo seu sistema de rios e eclusas.

A estimativa de crescimento foi feita pelo diretor do Departamento Hidroviário do Governo de São Paulo, Oswaldo Rosseto. O órgão é ligado à Secretaria Estadual de Transportes. Segundo ele, a ampliação do volume movimentado se dará em razão da transferência de parte de cargas como açúcar, milho e o próprio etanol do rodoviário para o modal fluvial.

Rosseto disse que, apesar do volume projetado para este ano ainda ficar abaixo da capacidade instalada da Tietê-Paraná – entre 17 e 20 milhões de toneladas -, há planos de expandir a via aquaviária.”Temos estudos para prosseguir as eclusas (hoje são dez) para São Simão, Água Vermelha (RS), Santa Maria da Serra”.

O diretor destacou que, além de aperfeiçoar as instalações, o Estado irá incentivar o uso das suas hidrovias. Entre as ações previstas está mostrar aos usuários do setor logístico o quanto o modal é seguro, menos poluente e barato.

“O Estado age como agilizador porque ele não é o dono da carga e nem tem terminal. Mas estamos preparando o fluvial para ser incorporado de uma forma equilibrada na nossa matriz de transporte, que é perversamente voltada ao rodoviário”, ressaltou.

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