Mercado

Governo aposta na safra para garantir estoque

O governo aposta na antecipação do corte da cana este mês e no aumento da área plantada em até 8% com relação à safra passada para fazer um estoque regulador e reduzir o preço do álcool nas bombas, que em algumas regiões do país já alcança R$ 2.

— Terminaremos abril com algo em torno de 300 a 400 milhões de litros em estoque. Isso quer dizer que a amenização da crise se dará a partir da segunda quinzena de abril — disse ontem o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues

Segundo o ministro, nos meses de março e abril o Brasil deverá produzir 900 milhões de litros, que, somados ao 1,6 bilhão existente em estoque, resultará numa oferta de 2,5 bilhões de litros, para um consumo estimado em 2,2 bilhões no período. Até abril, a palavra de ordem no governo é negociar com o setor para tentar amenizar a crise.

O governo deverá exigir das distribuidoras de combustível contratos de compra de longo prazo de álcool anidro, que é misturado hoje à gasolina. Esta é uma das propostas em estudo pelos técnicos dos ministérios de Minas e Energia, da Fazenda e da Agricultura para estimular a formação constante de estoques pelos usineiros e garantir o abastecimento. O ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, disse que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) poderá cobrar a assinatura dos contratos e, para isso, bastará baixar uma resolução:

— O fundamental é o álcool anidro, porque 20% têm que ser misturados à gasolina.

O álcool hidratado é o que serve de combustível aos carros flex. Hubner lembrou que a época da safra do álcool é entre maio e novembro, mas que as distribuidoras têm que estar preparadas para abastecer o mercado em todos os meses do ano. Daí a medida em estudo. Segundo ele, o governo não quer mexer no percentual de mistura de álcool à gasolina a todo momento.

Quanto à redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) — que incide sobre combustíveis — para evitar um aumento do preço da gasolina para o consumidor, Hubner afirmou que ainda não existe consenso no governo sobre a medida, pois não há garantia de benefício ao usuário.

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