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Gerenciamento ambiental,uma nova economia

O modelo usual de gerenciamento ambiental insiste na luta entre crescimento econômico e conservação do ambiente, como se esses dois objetivos fossem excludentes. Contudo, com a percepção do equilíbrio natural existente na Terra e a constatação dos danos globais da poluição, fica claro, hoje, que a única maneira de obtermos um crescimento econômico sustentável é a partir da conservação ambiental.

A proteção do ambiente passou a Ter uma justificativa econômica inquestionável. Não se trata mais de consciência ambiental ou de filantropia. O investimento em meio ambiente abre oportunidades de ganhos econômicos reais. É o que está sendo chamado de ecosustentabilidade empresarial. Para aceitar esse novo paradigma é preciso que algumas questões fundamentais sejam compreendidas como por exemplo a introdução dos custos ambientais no fluxo de caixa e a contabilização destes.

O sistema de gestão empresarial passa a ser falho ao não incluir nos custos de produção os custos da degradação ambiental, que são impostos a toda a sociedade. Todavia, quem analisar com critério a evolução da legislação ambiental e o forte posicionamento da sociedade contra a poluição perceberá que está em curso um processo de contabilização dos custos ambientais. As leis que responsabilizam o produtor pela destinação adequada das embalagens; as responsabilidades administrativas, civis e criminais do gerador do resíduo nos acidentes ambientais; e os danos à imagem corporativa nos casos de contaminação do ambiente. Tudo isso vem fazendo com que custos que antes eram socializados entrem na contabilidade das empresas.

Também passamos a perceber os serviços que a natureza realiza. Ela recicla os nutrientes mantendo o solo fértil indefinidamente, purifica a água, fornece oxigênio a mais de seis bilhões de pessoas no Planeta e recicla o carbono, de modo que tenhamos uma atmosfera capaz de manter uma temperatura adequada à vida. Se a degradação ambiental comprometer a qualidade desses serviços, teremos que obtê-los de outra forma (se for possível), a um custo altíssimo. Vários exemplos comprovam isso.

O aquecimento global, causado basicamente pelo uso de combustíveis fósseis, vem alterando o clima da Terra e trazendo uma intensificação das enchentes, furacões, etc. Segundo a ONU, na década de 90 o custo dos desastres naturais foi de cerca de U$$ 850 bilhões. A destruição dos ecossistemas vem prejudicando a qualidade da água e elevando significativamente o custo do tratamento necessário para atingir os padrões de potabilidade. As práticas agrícolas atuais reduzem a fertilidade do solo, elevando o custo com fertilizantes químicos e agrotóxicos.

Esse panorama nos mostra que é preciso refletir. Qual a melhor decisão econômica: conservar a natureza ou destruí-la? Nas empresas, o que é mais vantajoso: investir em produção limpa para eliminar os impactos ambientais ou arcar com os custos de gerenciar resíduos e passivo ? Aumentar a eficiência energética e utilizar mais energia limpa ou pagar cada vez mais na conta de energia? A melhor decisão ambiental é a melhor decisão econômica. Quem compreender que estamos na nova economia da natureza , obterá lucro onde antes só se via prejuízo.

*Roberto Roche,PDSc

Coordenador de QSMS

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