Mercado

Fornecedores de cana vão vender álcool à Petrobras

Os fornecedores de cana-de-açúcar da Zona da Mata Sul de Pernambuco vão comercializar álcool para a Petrobras. O Banco do Brasil vai financiar cerca de R$ 31 milhões para a construção de uma destilaria e ampliação do plantio de cana no município de Palmares. Batizada de Destilaria Miguel Arraes, a unidade terá capacidade para produzir 16 milhões de litros de álcool por safra. Ontem, na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, foi assinado um memorando de entendimentos entre a BR Distribuidora e a Cooperativa Agroindustrial da Mata Sul de Pernambuco (Coopeagro) para tocar o projeto.

O presidente da cooperativa, Roberto Carvalho, destaca a importância do projeto para agregar valor à produção e reduzir custos. “Com o fechamento da Usina Serro Azul, em Palmares, precisávamos percorrer uma distância de até 35 quilômetros para levar nossa cana até a usina mais próxima (Pumati, no município de Joaquim Nabuco). E esse custo de frete representa 33% do valor da cana”, observa.

Fundada em 2005, a Coopeagro conta com 350 cooperados dos municípios de Palmares, Bonito e Catende. Nesta safra (2007/2008), a expectativa é atingir uma produção de 82 mil toneladas de cana. No projeto com a Petrobras, os fornecedores serão responsáveis pela produção e a BR pela distribuição e comercialização do álcool. Após a liberação do financiamento, a expectativa é que a destilaria comece a operar num prazo de um ano e meio.

Pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Francisco Dutra, foi o idealizador do projeto, que beneficia os pequenos produtores. As discussões sobre uma possível parceria com a BR Distribuidora foram iniciadas ainda quando Maria das Graças Foster era a diretora da BR e desenvolveu um projeto de etanol com agricultores familiares do Rio Grande do Sul. A idéia começou a ser discutida no âmbito da Câmara Setorial de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool de Pernambuco, que agrega produtores, usineiros, setores do governo e universidades.

“A idéia é que o projeto seja replicado com fornecedores de cana da Mata Norte, onde já está sendo formalizada uma cooperativa para articular os produtores dos municípios de Nazaré da Mata, Vicência, Aliança e Itaquitinga”, adianta Dutra. A Coopenorte (Cooperativa de Produtores de Cana da Mata Norte) deve começar com 300 sócios e pleitear um projeto semelhante de construção de uma destilaria com capacidade para produzir 16 milhões de litros de álcool. A expectativa dos produtores é que o álcool seja comercializado para a Petrobras ao preço praticado pelo mercado.

BIOMASSA

Os fornecedores também terão a oportunidade de comercializar o bagaço da cana-de-açúcar para produção de biomassa. “Antes, vendíamos apenas a cana, sem nem mesmo saber qual era o real valor do nosso produto, porque não dispúnhamos de laboratórios. Agora, poderemos faturar até R$ 8 milhões por safra só com a venda do bagaço. A UFRPE está tentando uma parceria com uma empresa alemã para adquirir esse bagaço”, afirma Roberto Carvalho.

Na avaliação do presidente do Sindicato do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha, o projeto estimula o associativismo e a produção em regiões distantes das usinas, onde existia uma lacuna. “A cana-de-açúcar é um produto que não suporta ser vendido para grandes distâncias porque encarece o frete”, frisa.

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