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Europa importará do Brasil açúcar cristal sem enxofre

A empresa pernambucana Gasil Gases e Equipamento anunciou o desenvolvimento de uma tecnologia inédita no mundo que substitui o enxofre por ozônio no branqueamento do açúcar cristal durante o processo industrial nas usinas A inovação possibilitará que o Brasil, com uma produção total de 32,5 milhões de toneladas de açúcar por ano, possa exportar o produto também para a Europa e Estados Unidos, um mercado de 43 milhões de toneladas, onde o açúcar cristal não é ainda aceito devido ao enxofre, considerado cancerígeno.

“Além dos efeitos sobre a saúde, o enxofre é nocivo a praticamente todos os materiais, inclusive associados ao processo de formação de chuvas ácidas. O ozônio surge como uma alternativa a essa fonte de degradação ambiental, uma vez que não gera resíduo”, explica Raimundo Silton, diretor da Gasil Gases e Equipamento. A empresa, fundada há 13 anos, na cidade de Bezerros, a 100km do Recife, desenvolve técnicas especializadas na produção de gases e equipamentos. Ele disse que realizou pesquisas no período de dez anos e investiu cerca de R$ 2 milhões para o desenvolvimento da nova tecnologia.

O equipamento, com capacidade para 7,2 quilos por hora, utiliza uma mistura de oxigênio com argônio. A presença do argônio no gás protege a molécula da sacarose da ação oxidante do ozônio. Os resultados obtidos com o uso do novo método serão apresentados durante evento promovido pela Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil hoje em Recife, , no Mar Hotel.

Além da diminuição dos impactos ambientais, a eliminação do enxofre irá reduzir os custos com produtos químicos na produção do açúcar, gerando maior competitividade ao produto. A nova técnica já está sendo utilizada na usina Monte Alegre, localizada no vizinho estado da Paraíba, desde 2004. Este ano, o gerador de ozônio, passou a ser utilizado também na usina Maity, no estado do Maranhão.

A gerente industrial da usina Monte Alegre, Fátima Oliveira, contabiliza os resultados da adoção do novo método. “Conseguimos reduzir os custos e incrementar nossa produção. Além disso, nossa unidade está preparada para atender o mercado interno e externo por não conter resíduos de enxofre”, concluiu.

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