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Estado inicia produção de biodiesel este mês

A Fertibom, fabricante de fertilizantes líquidos de Catanduva, a 384 quilômetros de São Paulo, será a primeira indústria paulista a produzir biodisel. A produção deve começar ainda este mês, após quatro anos de pesquisas. Foi construída uma nova unidade somente para a produção do combustível ecologicamente correto. Segundo o diretor-geral da Fertibom, Geraldo Martins, a capacidade inicial de produção será de 12 milhões de litros por ano, mas ao final de 2006 o volume chegará a 30 milhões. O valor dos investimentos não é revelado.

O projeto da unidade de produção de biodiesel está capacitado para trabalhar com 20 tipos de matérias-primas diferentes mas, inicialmente, serão utilizados apenas óleos de amendoim, soja e girassol. “Também estamos estudando parcerias com produtores de pinhão manso, principalmente em cooperativas de produtores e assentamentos”, diz Martins.

O principal mercado consumidor do biodiesel produzido pela Fertibom será, inicialmente, as empresas produtoras de petróleo. “Venderemos nosso produto em leilões eletrônicos, para que os compradores façam a mistura em suas próprias refinarias”, explica o diretor-geral. Até o final de 2006 todo o óleo diesel comercializado no Brasil terá que ter 2% de biodiesel em sua composição.

De acordo com a lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 1995, em oito anos a mistura chegará a 8%. Atualmente, 15% do diesel consumido é no País importado, o que representa um custo de US$ 1 bilhão por ano. A utilização do biodiesel poderá reduzir consideravelmente esse déficit.

Segundo Martins, outro importante mercado consumidor do biodiesel serão os atuais clientes da Fertibom. Ele explica que a própria idéia de produzir o combustível foi estimulada pelos produtores da região que já compravam fertilizantes da empresa. “Eles são grandes consumidores de óleo diesel, e farão a mistura em caráter experimental”, explica o executivo.

O mercado externo, principalmente os países que assinaram o protocolo de Kyoto, que prevê diversas medidas de controle ambiental, também serão destino da produção da Fertibom. Martins diz que países como Suécia, Finlândia e Portugal já estão em negociação para o recebimento do produto. “A Europa está levando muito a sério essa história do biodiesel. Para nós isso é uma porta de entrada muito grande”, diz o diretor. Ele afirma, no entanto, que as exportações só deverão ser iniciadas no ano que vem, pois a prioridade agora são os produtores nacionais de petróleo.

Países da europa vão precisar do combustível

Até o final deste ano todos os membros da União Européia deverão acrescentar 2% de biocombustíveis ou combustíveis renováveis na gasolina e no diesel. Até o final de 2010, a mistura deverá chegar a 5,57%. Mas alguns países europeus já avançaram no que se refere ao combustível renovável. “A Alemanha, por exemplo, disponibiliza em seus postos de combustíveis bombas de biodiesel, onde o consumidor escolhe a porcentagem que vai utilizar na mistura”, conta o executivo.

Para a produção do biodiesel pela Fertibom foi necessária a compra de tanques e reatores. Martins explica que o combustível é obtido através da substituição da glicerina que compõe o óleo das sementes pelo álcool. “Se for utilizado o etanol da cana-de-açúcar, o combustível será 100% renovável e não poluente”, garante.

Para produzir o biodisel a empresa interessada deve ter uma autorização especial da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A autorização à Fertibom foi concedida no último dia 27 de outubro. Quatro fábricas já estão produzindo biodiesel, nos estados do Pará, Paraná, Piauí e Minas Gerais.

Apesar de ser considerado o Estado mais desenvolvido do Brasil, a autorização para uma indústria paulista produzir biodiesel pode ser considerada tardia. A Fertibom foi a 8ª empresa brasileira a receber a autorização. Na opinião do diretor-geral, isso aconteceu porque o Estado não possui regras claras para o segmento. “São Paulo precisa adotar um programa de biodiesel o mais rápido possível, para que outras empresas paulistas possam entrar nesse mercado”.

No mesmo dia em que a Fertibom recebeu a autorização da ANP, a Brasil Biodiesel Comércio e Indústria de Óleos Vegetais, de Floriano, no Piauí, também foi beneficiada com a decisão.Na reunião da Sociedade Rural Brasileira (SRB) realizada na última segunda-feira na abertura da Feira Internacional do Setor Sucroalcooleiro (Fenasucro), o presidente do Comitê de Agroenergia e Biocombustíveis da entidade, Maurílio Biagi Filho afirmou que o biodiesel deve ser um instrumento de desenvolvimento das regiões mais carentes do Brasil, como o Norte e o Nordeste, além de fortalecer o agronegócio em regiões desenvolvidas como o Sul e o Sudeste.

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