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Enfezamento do milho pode estancar crescimento da produção do cereal

Dados da Conab apontam para aumento da produção, mas doenças como o enfezamento ameaçam essa tendência

Enfezamento do milho pode estancar crescimento da produção do cereal

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam para um aumento de 12,9% na produção de milho na safra 2022/23 em relação à temporada anterior.

Estima-se uma produção de 127,8 milhões de toneladas, incluindo as três safras, chegando a 14,6 milhões de toneladas acima da cultivada em 2021/22.

Apesar destes números, algumas regiões produtoras de milho, como é o caso do Rio Grande do Sul, vem apresentando uma gradativa diminuição em sua produção.

Além da seca, essa redução pode estar relacionada a doenças do “complexo de enfezamento”, que têm gerado grande preocupação para os produtores nas últimas safras.

Causada por um grupo de bactérias chamadas molicutes, a doença afeta o desenvolvimento e a produtividade das plantas de milho, causando prejuízos significativos na lavoura.

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Os sintomas do enfezamento do milho podem variar, mas incluem o amarelecimento ou avermelhamento das folhas, redução no tamanho e na quantidade das espigas, desenvolvimento anormal das raízes e da parte aérea das plantas, além de uma aparência geral de enfraquecimento. Características que se assemelham a uma das doenças mais preocupantes na citricultura, o greening.

Essa coincidência não é por acaso, ambas as doenças são causadas por bactérias que se hospedam no floema das plantas – o qual se assemelha às veias das mesmas e por onde são distribuídos os nutrientes necessários para um bom desenvolvimento do organismo. O molicutes e seus efeitos entopem o floema impedindo a distribuição dos nutrientes e fazendo com que as plantas fiquem doentes.

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Observando semelhanças nos mecanismos de defesa entre as bactérias causadoras do greening em citros e do enfezamento em milho e seus efeitos, pesquisadores da CiaCamp estudaram a tecnologia NAC, desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em milho e outros cereais.

Dessa forma, foi desenvolvida uma fórmula eficaz para o manejo inédito do enfezamento do milho e um antioxidante para outras culturas, o Cerealis. Trata-se de um fertilizante líquido que contém o princípio ativo da tecnologia NAC. Essa formulação pode ser aplicada tanto no solo quanto nas folhas das plantas. Ao chegar até o floema da planta, o fertilizante desempenha a função de “desentupidor”, desbloqueando os vasos e permitindo que a planta absorva plenamente os nutrientes, retornando ao ciclo de desenvolvimento.

Além de ser eficaz no manejo do enfezamento no milho, o produto é um ativador enzimático em outras culturas como a soja, pois atua como precursor da enzima glutationa (GSH), que é um importante aliado no combate a estresses devido sua ação antioxidante. No milho, trabalhos conduzidos por renomadas instituições de pesquisa comprovam diferenças nas produtividades em áreas tratadas, acima de 20 sacas por hectare.

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Toda essa preocupação se torna cada vez mais pertinente, à medida que o cereal cresce em importância na balança comercial. O milho foi o produto que registrou a maior taxa de crescimento no volume embarcado, com 86%, de acordo com pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) do campus da USP em Piracicaba – SP. Os estudos apontam que as exportações brasileiras de produtos agropecuários seguiram avançando no primeiro semestre deste ano.

A soja em grão apresentou o maior volume exportado, com 49% de todo o volume escoado pelo agronegócio brasileiro e 40% do valor gerado pela receita em dólar. De acordo com pesquisadores do Cepea, o ano tem sido muito favorável aos produtos do complexo da soja e aos setores sucroenergético e florestal.

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