Mercado

Empresários brasileiros planejam instalar fábricas na Tunísia

O aumento das exportações não foi o único foco da missão empresarial ao Norte da África, coordenada pela Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Na Tunísia, segundo parada da viagem, os incentivos dados para as indústrias que decidem se instalar neste país levou vários empresários a rever suas estratégias. Muitos deles já pensam em abrir fábricas com as facilidades dadas pelo Governo local.

O entusiasmo do empresário não é em vão. O País oferece a isenção de tributos por 10 anos, financiamento de parte do negócio e a possibilidade de se gozar de acordos comerciais que o país tem com a União Européia e com outros países árabes e da África. Para exportação sem taxas à UE, por exemplo, 40% da composição do produto têm que ser de origem tunisiana.

“Fiquei interessado na Zona Industrial de Enfidha e vou fazer contato com nossos associados para ver se vale a pena, pois o país fica próximo à Europa e é fácil ofertar para este mercado”, disse Paulo Passos do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). “Poderíamos trazer as polpas de frutas do Brasil e fazer a embalagem aqui, creio que teríamos condições de ter um preço competitivo até para a União Européia”, acrescentou.

Na mesma linha, Edmilson Marcondes dos Santos, da Usmatic, fabricante de medidores de água e equipamento para irrigação, disse que os custos de construção de uma planta no local são competitivos. “As rodadas de negócios foram muito boas, fiz contato com duas empresas interessadas em mandar propostas de parcerias para a construção de uma fábrica”, afirmou. Ele quer ter uma linha de montagem de medidores de água no país e transferir tecnologia para uma planta de produção de equipamentos para irrigação.

A missão já seguiu para o Egito, maior mercado da região e onde o crescimento das exportações e do fluxo turístico impulsiona as perspectivas para um aumento do consumo e dos investimentos privados. O país é forte importador de produtos do agronegócio, o que apresenta boa oportunidade para o aprofundamento e incremento das relações comerciais com o Brasil. As projeções do FMI indicam crescimento do PIB egípcio de 5,6%.

“A missão comercial ao Norte da África emerge como um fator que pode ser decisivo para o sucesso das iniciativas dos empresários brasileiros em iniciar projetos ou ampliar a sua participação no mercado árabe”, ressalta Juarez Leal. Quarta-feira os empresários se preparam para voltar ao Brasil depois de quase 10 dias viajando.

Fechamento de negócios

A passagem pela Tunísia possibilitou ainda bons negócios aos participantes com a possibilidade de fixar a marca de seus produtos e abrir caminho nas vendas para outros países europeus.

Daniel Schnorr, por exemplo, da Link Worldwide, que representa oito indústrias de componentes para calçados e acessórios, disse que fechou um pedido de teste no valor de US$ 5 mil para uma fábrica de cintos. “Fiz contato também com o segundo maior curtume da Tunísia e eles querem importar produtos químicos e couro wet blue”, afirmou. Em sua avaliação, os contatos feitos no país podem render vendas de US$ 150 mil, ou três contêineres por ano.

Já Eduardo Moraes, da Latinex, companhia que comercializa alimentos e bebidas, disse que a passagem pela Tunísia superou suas expectativas. “O mercado é pequeno, mas existem grandes possibilidades de negócios, principalmente para enlatados, biscoitos e balas”, disse. Ao pesquisar no varejo local, ele constatou que é quase inexistente a oferta de produtos brasileiros, lacuna que pode ser preenchida.

A Singular Trading, que também vende alimentos e produtos agrícolas, tem perspectivas de fechar negócios na Tunísia nas próximas semanas. Segundo Cristiano Vivaldi, representante da companhia, existem oportunidades de venda de açúcar, leite e outros produtos agrícolas. No Marrocos, primeira etapa da viagem, ele fechou um negócio de US$ 600 mil. “A idéia é multiplicar isso ainda este ano”, declarou.

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