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Emissão tem de cair pela metade, diz físico

Inovação e realismo. É uma combinação das duas coisas que permitirá o combate ao aquecimento global, argumenta o alemão Klaus Heinloth, presidente do grupo de trabalho da União Internacional de Física Pura e Aplicada sobre Energia.

O cientista apresentou anteontem uma palestra sobre tecnologias inovadoras para reduzir riscos da mudança climática no Espaço Cultural CPFL, em Campinas (interior de São Paulo).

O problema é fácil de quantificar. Cerca de 64% da energia produzida para abastecer as redes elétricas do mundo vem de usinas termelétricas, que emitem altas doses de gás carbônico. A imensa maioria dos combustíveis -98%- é derivada do petróleo, o que também aumenta as emissões. A maior concentração de gás carbônico na atmosfera intensifica o chamado efeito estufa e aumenta a temperatura da Terra.

Para Heinloth, é preciso substituir essas formas sujas de energia. Caso o aquecimento global não seja contido, ele diz, isso irá levar a uma elevação do nível dos mares, causando um alagamento de uma área em que um terço da população mundial hoje vive, “nos próximos cem anos, com sorte um pouco mais, uns 200 anos”.

É preciso cortar pela metade as emissões atuais para interferir nesse quadro. Para isso, segundo Heinloth, será necessário combinar soluções paliativas com tecnologias mais duradouras.

Seqüestro de carbono

Ele defende, por exemplo, o desenvolvimento de usinas termelétricas que de algum modo realizem o seqüestro do gás carbônico, dando outro fim a ele. Já é possível injetar o gás debaixo de rochas ou aqüíferos (reservatórios de água) subterrâneos, e ele parece ficar quieto por lá, diz Heinloth. “O problema é o custo. O preço de produzir energia em usinas assim dobra. Por isso, é preciso que os governos criem políticas para incentivar as empresas a fazê-lo.”

Heinloth também aposta em painéis solares mais eficientes, combinados a baterias para armazenagem de energia, mas acha improvável que essa tecnologia tenha impacto imediato.

No campo dos combustíveis, os principais enfoques devem ficar com o desenvolvimento de alternativas feitas com biomassa ou com o hidrogênio, talvez combinado a gás carbônico extraído da atmosfera para a formação de um outro combustível.

Heinloth também sugere que possam aumentar os carros com propulsão elétrica. “Imagine um carro em que você não ouve o barulho do motor a explosão”, diz, entusiasmado. “Seria um grande perigo para os pedestres, porque eles não ouviriam o carro”, brincou, arrancando risos da platéia.

Quanto à panacéia da produção de energia limpa -a fusão nuclear, que alimenta as estrelas e que está consumindo bilhões de dólares na construção de um reator experimental na França-, Heinloth é cético. Talvez seja possível superar os problemas técnicos, ele diz, mas não em menos de 50 ou 60 anos.

Em sua visita ao Brasil, Heinloth também comentou as opiniões polêmicas do economista australiano Warwick McKibbin, que participou do ciclo de palestras em Campinas. McKibbin critica o Protocolo de Kyoto, pacto para reduzir as emissões dos países industrializados, por não incluir EUA e países em desenvolvimento e não levar em conta a economia. “Concordo com ele sobre o fato de que precisamos incluir os americanos, a Índia e a China nesses esforços. Mas ele argumenta como se tivéssemos muito tempo para enfrentar o problema, o que não é verdade.”

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