Mercado

Em 4 anos, 5 milhões de carros flex

As vendas de carros bicombustíveis ultrapassaram em outubro a marca de 1 milhão de unidades, pouco mais de dois anos e meio após o lançamento do primeiro modelo com essa tecnologia. Mantido o ritmo atual de mercado, os carros flex fuel, ou flexíveis, vão acumular uma frota nacional de aproximadamente 5 milhões de unidades daqui a no máximo 4 anos. Para atingir esse número, o carro a álcool levou mais de dez anos. As vendas anuais dos flexíveis devem ficar em torno de 1,5 milhão de unidades, prevê o presidente da Comissão de Assuntos de Energia e Meio Ambiente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e diretor da Volkswagen.

Atualmente, circulam pelo País 1.015.670 automóveis que podem ser abastecidos com álcool, gasolina ou a mistura de ambos. Não há pesquisa oficial que mostre qual opção é a preferida do consumidor, mas usineiros e montadoras apontam o álcool como o mais usado, principalmente no Centro-Sul, onde o produto é no mínimo 30% mais barato que a gasolina.

Em dois anos, a indústria automobilística deve ter quase 100% da produção para o mercado doméstico de veículos flex. Versões para exportação devem ser mantidas na opção a gasolina. Países que estão incorporando o álcool à matriz energética usam o combustível apenas como mistura à gasolina.

Neste ano, até outubro, foram vendidos 650,8 mil automóveis e comerciais leves com motores bicombustível, número superior ao da venda de modelos a gasolina, que soma 580 mil unidades. Desde o lançamento do primeiro bicombustível, um Gol 1.6, da Volkswagen, em março de 2003, o mercado cresce sistematicamente. No mês passado, de cada dez carros vendidos, perto de sete eram flex fuel.

Com exceção da Toyota e da Honda, que preparam lançamentos para 2006, as demais fabricantes brasileiras já têm versões flexíveis. Lançamentos mais recentes, como Fox e Idea, são oferecidos só nessa opção.

A tecnologia flex começou a ser desenvolvida no Brasil em meados dos anos 90 pelas montadoras e fornecedoras de sistemas. Os Estados Unidos já tinham a receita básica, que era o a mistura do metanol à gasolina, mas usavam sensores de alto valor para a adaptação. As empresas locais conseguiram criar sistema de custo mais baixo e hoje os carros flexíveis são lançados a preços próximos aos de motores convencionais.

Antes da chegada dos carros flex, os próprios consumidores, atraídos pela vantagem do preço do álcool, passaram a fazer uma mistura própria, conhecida como rabo de galo, prejudicial aos carros. Motor e bomba de combustível precisam de reforços e calibragem adequada para suportar o álcool. A prática ainda é comum, mas provoca problemas como falhas na dirigibilidade, dificuldade na partida e aumento de consumo.

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