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Economia solidária se concentra no NE

A economia solidária no Brasil compreende 2 milhões de pessoas e mais de 20 mil empreendimentos chamados de autogestionários. Apesar de espalhadas por todas as regiões, essas empresas se concentram principalmente no Nordeste, a região mais pobre do país, e 80% delas estão na informalidade.

Essas são algumas das conclusões preliminares de um mapeamento da economia solidária no Brasil encomendado pelo Ministério do Trabalho ao Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e à Anpec (Associação Nacional de Centros de Pós-Graduação em Economia).

Segundo Paul Singer, secretário nacional de Economia Solidária (Senaes) do Ministério do Trabalho, o mapeamento, que deverá ser concluído no final do ano, mostra que a economia solidária no Brasil está diretamente ligada à pobreza. Antes do levantamento, supunha-se, por exemplo, que o maior número de empreendimentos autogestionários se localizava no Sul. A economia solidária é uma resposta das comunidades carentes à falta de emprego e à exclusão social.

De acordo com Singer, quando as pessoas se juntam para enfrentar a pobreza, têm mais chances de serem bem-sucedidas. Isso vale para artesãos, garimpeiros, pescadores e camponeses. “A economia solidária é uma reação das vítimas da pobreza à falta de crescimento do país nas últimas décadas”, diz Singer. “A agricultura familiar, por exemplo, só consegue competir com as grandes propriedades quando se organiza.”

Ele diz que a economia solidária não coincide com as cooperativas sociais. Segundo ele, os dois milhões de pessoas nessa economia não devem estar incluídos nos seis milhões organizados em cooperativas. A razão é simples. O custo de criar uma cooperativa é muito alto, e é por isso que uma das características da economia solidária é a informalidade.

Segundo Singer, há empresas autogestionárias de vários tamanhos. A maior é uma usina de açúcar em Pernambuco, com 28 mil hectares e 17 mil pessoas.

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