O setor sucroalcooleiro da região vai ser diretamente beneficiado pelo sistema de dutos da companhia Uniduto, que terá ramificação em Ribeirão Preto e deve entrar em fase de testes no primeiro semestre de 2011.
O anúncio da data foi feito ontem pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Cosan, Paulo Diniz.
A empresa possui 72% da Uniduto, enquanto os demais 28% pertencem à Rezende Barbosa (RB), holding controladora do Grupo Nova América, que possui armazém de açúcar em Sertãozinho.
“A chegada do alcoolduto vai favorecer toda a cadeia sucroalcooleira da região, porque tornará o transporte do biocombustível mais barato”, diz Sérgio Prado, representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em Ribeirão.
Segundo ele, a região situada a um raio de até 100 quilômetros de RP fará neste ano 6 bilhões de litros dos estimados 26 bilhões de litros de etanol a serem produzidos pelo país. “E o sistema de dutos poderá fazer o transporte do biocombustível feito na região”.
Frete mais barato
Segundo o diretor da Cosan, será possível reduzir de 35% a 40% o custo logístico com o etanol. Conforme estudo da empresa David, especializada em negociação entre fabricantes de etanol e de distribuidores, gasta-se entre US$ 42 a US$ 45 para transportar uma tonelada do biocombustível até o porto de Santos. “O transporte desse combustível também é fretado em tonelagem”, diz o diretor Antônio David.
Arnaldo Luiz Corrêa, consultor da Archer Consulting, que hoje participa de evento do Grupo Idea no Centro de Convenções de RP, também aprova a notícia.
“É evidente que a implantação do alcoolduto é boa porque qualquer redução de custos no setor vai em parte parar nas mãos do produtor”, diz.
“Como o mercado do setor tem vários vasos comunicantes, essa redução será espalhada”, explica.
Além da redução de custos, o alcoolduto permitirá ampliar a exportação de etanol. “Hoje, o Brasil exporta entre 3 e 3,5 bilhões de litros de etanol por ano. Com o duto, teremos uma capacidade superior a 14 bilhões de litros anuais”, disse o diretor da Cosan.
O alcoolduto ligará o terminal portuário de Santos e a cidade de Paulínia, com ramificações para a cidade de Conchas, além de RP.
Na primeira fase do projeto, que vai de 18 meses a dois anos, os aportes devem somar R$ 60 milhões, divididos igualmente entre os acionistas. A fase posterior abrange a construção do alcoolduto, a partir de 2010. Os primeiros testes devem ser feitos até julho de 2011, segundo o executivo da Cosan. (Com Agência Estado)
Petrobras pode atuar a partir de Ribeirão
Questionado sobre uma possível participação da Petrobras no projeto do alcoolduto da companhia Uniduto, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Cosan, Paulo Diniz, mencionou a possibilidade de a estatal aproveitar o projeto, já fechado pelos parceiros privados, para ampliá-lo a outras regiões do País.
“Eles podem aproveitar as obras onde pararemos, em Ribeirão Preto, para estender ao sul de Minas e Goiás. Ou aproveitar a perna de Conchas para o Mato Grosso do Sul. Esse desenho não se mostrou viável para nós, mas pode ser interessante em termos estratégicos para o País”, disse.
Parceria
Na área logística, a Cosan também atua em parceria com a Nova América, sendo sócias na Rumo Logística.
Os terminais portuários das duas empresas estão sendo integrados, possibilitando uma capacidade de carregamento de 8 milhões de toneladas.
“Com investimentos entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões após a integração, é possível reorganizar a logística para carregar três navios ao mesmo tempo”, afirmou o executivo durante encontro com analistas e investidores.
A expectativa é de que o terminal portuário tenha três docas e cinco carregadores de navios.