Mercado

Dow quer ampliar produção de defensivos no Brasil

Mesmo com a crise econômica, a Dow Agrosciences, uma das maiores fabricantes de defensivos agrícolas do mundo, tem em sua programação para 2009 um investimento de US$ 23 milhões para aumento de capacidade de produção no Brasil. O projeto já foi apresentado à matriz, nos Estados Unidos, e está em fase final de aprovação, segundo a companhia.

“Como o investimento está diretamente ligado ao nosso projeto de crescimento no país, ele deverá ser aprovado”, diz Welles Pascoal, diretor de marketing da área de defensivos da Dow Agrosciences no Brasil. Em 2007, a empresa estabeleceu a meta de atingir faturamento de US$ 1 bilhão no mercado brasileiro até 2012. O objetivo depende, também, do aumento da capacidade de produção, segundo o diretor.

Os aportes seriam voltados à unidade da empresa localizada em Franco da Rocha (SP), a maior das duas que a companhia tem no Brasil – em 2008, a produção da unidade foi de cerca de 30 milhões de toneladas de defensivos. A outra planta, localizada em Jacareí, também em São Paulo, tem capacidade pouco superior a um terço da de Franco da Rocha, segundo Pascoal.

A unidade brasileira já é a segunda maior da empresa no mundo, atrás apenas da americana. Em 2008, a Dow Agrosciences teve receita global de US$ 4,5 bilhões, de acordo com o balanço divulgado nesta semana. O Brasil respondeu por cerca de US$ 600 milhões.

O aumento de capacidade da área de defensivos é apenas parte da estratégia da empresa para a meta de atingir a receita de US$ 1 bilhão até 2012. Também faz parte da programação um maior equilíbrio entre o faturamento das área de defensivos – que responde atualmente por cerca de 75% do total – e sementes.

O avanço da área de sementes da empresa não tem sido perseguido apenas no mercado brasileiro. Desde maio de 2007, a Dow já realizou nove aquisições no mundo, sempre para acelerar sua atuação em sementes. Uma das mais recentes foi a compra, em outubro de 2008, da unidade de produção de sementes de milho híbrido da Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec), de Paracatu (MG). As aquisições também incluíram, em julho de 2007, a divisão de sementes de milho da brasileira Agromen.

Na contramão das compras, a Dow Agrosciences brasileira está saindo definitivamente da área de saúde animal. “A área sempre foi pequena na companhia, e nesse setor é preciso ter escala”, afirma Pascoal. A linha de saúde animal da empresa tem apenas um produto que atua como cicatrizante e repelente. Em dezembro foi fechado o acordo para a venda dessa linha para a Ouro Fino Agronegócio, de Cravinhos (SP), especializada no segmento.

A meta de crescimento no agronegócio é mantida no momento em que a Santelisa Vale e a Dow Chemical, à qual a Agrosciences é ligada, decidiram postergar o projeto de fabricação de resinas plásticas a partir da cana-de-açúcar, conforme informou o Valor na última quarta-feira. O investimento seria de cerca de US$ 1 bilhão. A unidade ficaria em Santa Vitória, no Triângulo Mineiro.

Um dos motivos para o ânimo da empresa com o agronegócio brasileiro é que a perspectiva de renda para os produtores é positiva. “O crédito ficou mais difícil e o endividamento ainda é alto”, diz Pascoal, “mas os preços atuais das commodities, aliados ao atual nível do câmbio, vão ajudar o produtor a construir seu capital para financiar a próxima safra”. (PC)

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