Mercado

Donos de postos apontam redução no consumo do álcool

O aumento de R$ 0,05 esperado para o álcool nesta semana ainda não chegou às bombas, devido à queda do consumo do produto. Normalmente, os estoques comprados na última semana já teriam acabado no início entre segunda e terça-feira, mas a sobra adiou a compra.

De acordo com José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro (sindicato dos postos), as vendas caíram bastante e mostram a revolta do consumidor com os preços. “Está tudo parado e o prejuízo é preocupante nos postos”.

Dono de posto de serviços, Gouveia conta que comprou 10 mil litros de álcool na última semana e que os teria vendido, normalmente, até a última sexta-feira. Porém, o comerciante ainda tem 3 mil litros armazenados e pretende renovar seu estoque apenas hoje, isso dependendo do preço do distribuidor.

Outro posto que vende menos álcool desde a última semana é o Central Auto Posto, na zona sul de São Paulo. O gerente Robson Rodrigues conta que o álcool sobrou no estoque porque, dos 1.200 litros vendidos por dia, agora apenas 600 são mesmo usados no consumo.

A alta no preço vem dos usineiros. Segundo relatório divulgado na última sexta-feira pelo Cepea (Centro de Estudos Aplicados em Economia Avançada) da Esalq, órgão ligado à Universidade de São Paulo, o produto na usina já chegou a R$ 1,20, subindo R$ 0,05 desde a semana anterior.

O preço médio do litro do álcool nos postos do Estado de São Paulo subiu R$ 0,14 e chegou a R$ 1,705, segundo pesquisa da ANP (Agência Nacional de Petróleo) entre 26 de fevereiro e 4 de março. Era esperado mais um aumento no produto nesta semana.

O índice semanal comprova a forte subida no valor do produto, já que a média divulgada no último dia 25 era de R$ 1,565.

Em outra tentativa de baixar os preços do álcool, o governo pode obrigar as distribuidoras a fazer contratos de longo prazo para a compra de álcool anidro, segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner. O objetivo é garantir o abastecimento. O governo avalia ainda a alteração da lei do petróleo e da lei que trata da fiscalização da ANP, para que o álcool passe a ser tratado como combustível.

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