Mercado

Discurso de Bush ajuda álcool brasileiro

O discurso do Estado da União desta semana do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, no qual afirmou que pretende tornar o álcool combustível um produto competitivo dentro de seis anos é tudo o que o Brasil gostaria de ouvir.

O mercado brasileiro há anos espera ver o álcool como uma commodity. Quanto mais se desenvolver esse mercado nos EUA, melhor é para o Brasil.

“[O discurso de Bush] ajuda a já traçar alguns pontos no futuro, como o álcool como uma commodity mundial”, na opinião de Gil Carlos Barabach, analista de mercado de açúcar e álcool da consultoria Safras & Mercado.

Barabach completa dizendo que quem olhar para a frente verá que os Estados Unidos “irão se tornar um mercado concorrente e competitivo com o Brasil”. Para Bush, os EUA precisam se livrar da dependência do petróleo do volátil Oriente Médio.

Para o presidente da Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo), Eduardo Pereira de Carvalho, a decisão do governo norte-americano “significa um passo importantíssimo, de extrema pertinência”. Pois, para Carvalho, abre-se uma janela de novos mercados para o produto brasileiro no futuro.

O presidente da Unica não vê dificuldades em ter os Estados Unidos como concorrentes do Brasil: “Continuaremos a ser o melhor produtor de etanol”, afirma.

Analistas dizem que, para consolidar o mercado, o que o Brasil -o maior produtor e exportador de álcool do planeta- precisa é criar uma política de regulagem de estoques e manter investimentos no setor sucroalcooleiro.

De acordo com Barabach, a estratégia do setor é primeiro buscar o equilíbrio entre produção e consumo interno para depois gerar excedente para a exportação.

Um mercado de estoque regulador também é visto como essencial para amenizar a volatilidade dos preços, como a que aconteceu no final do ano passado.

Em relação aos investimentos do setor sucroalcooleiro no Brasil, Carvalho informa que há mais de 80 projetos de novas unidades de produção de álcool e açúcar na região centro-sul do Brasil que devem entrar em operação nos próximos quatro anos. Desses, 19 unidades devem iniciar as operações ainda neste ano.

Em seu discurso, Bush também considerou a produção de etanol a partir de outra base que não seja o milho, por meio de “lascas de madeira e grama”.

O presidente da Unica avalia que esse álcool a partir da celulose é o grande trunfo para o futuro. “É a única matéria-prima que pode ter custos como os nossos da cana-de-açúcar.” Ele acrescenta que já existem no Brasil estudos para desenvolver o etanol a partir da celulose.

Além do presidente dos Estados Unidos, o avanço tecnológico do Brasil na produção e no uso do álcool como combustível limpo e renovável tem atraído constantemente o interesse de estrangeiros. Nesta semana, por exemplo, até mesmo os fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, visitaram uma das maiores usinas de açúcar e álcool do Brasil, no interior de São Paulo. Bill Gates, da Microsoft, também já mostrou interesse pela commodity.

Exportações

No ano passado, o Brasil exportou 2,5 bilhões de litros de álcool dos 16 bilhões que produziu. Os Estados Unidos foram o quarto principal destino das vendas externas brasileiras, com importações que somaram 260,6 milhões de litros em 2005. Mas a fatia importada do Brasil é pequena em relação ao consumo dos EUA.

O volume de produção de etanol dos Estados Unidos é quase igual ao do Brasil, mas a previsão de consumo dos norte-americanos está em 28 bilhões de litros para o ano de 2012.

Os fortes subsídios norte-americanos dos governos federal e estadual tanto para os agricultores na produção de milho como para as indústrias na produção do etanol impedem um crescimento maior das vendas brasileiras.

E são esses mesmos subsídios que alavancaram a produção de milho nos Estados Unidos nos últimos anos. A área destinada ao plantio do milho cresceu, e a produtividade melhorou.

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