Mercado

Cutrale aceita negociar nova fórmula para o pagamento da laranja

São Paulo, A Cutrale, maior empresa de sucos cítricos do mundo e responsável no Brasil pelo esmagamento de 30% da produção local de laranja, aceitou ontem negociar uma nova forma de cálculo para a remuneração dos citricultores. O acordo, firmado no Ofício do Ministério Público do Trabalho de Araraquara (SP), foi comemorado pelo presidente da Associação Brasileira dos Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, que já há algum tempo reivindica uma nova fórmula de pagamento pelo fornecimento da matéria-prima. Além de Viegas, participaram das negociações de ontem, o diretor de Finanças e Administração da Cutrale, José Cervatto, e o presidente da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), Élio Neves.

O novo sistema de pagamento deverá levar em conta os requisitos previstos na legislação trabalhista e também as questões sociais para atender às exigências que cada vez mais são feitas pelos importadores estrangeiros. A Cutrale, segundo Viegas, é uma das maiores fornecedoras de suco de laranja ao mercado americano. A bebida é distribuída pela Coca-Cola que acompanha atentamente as condições de trabalho dos funcionários da empresa, que se encarrega da colheita da laranja nas propriedades dos produtores independentes da fruta.

Foi formado um grupo de trabalho com a participação de representantes da indústria, dos produtores e do governo. A reunião deverá ocorrer na primeira semana de março.

O modelo reivindicado pelos citricultores é semelhante ao negociado entre os plantadores de cana e as usinas de açúcar e álcool. De acordo com as regras fixadas pelo setor sucro-alcooleiro, o que vale não é volume de cana entregue às usinas, mas a qualidade do produto e o rendimento que a cana proporciona no momento da moagem. Os plantadores independentes de cana, segundo o definido no Consecana, têm participação nos lucros da usina por ocasião da comercialização do produto final.

O chamado contrato padrão para a remuneração da laranja vigorou por anos até a década de 90. Foi substituído pelo sistema de pagamento com base no número de caixas fornecidas à indústria por determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Foram os próprios citricultores que reivindicaram a suspensão desses contratos na ocasião.

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