Mercado

Cultura canavieira ainda enfrenta barreiras na Bahia

Reflexo da expansão do mercado de etanol, a Bahia deve esmagar, na safra deste ano, um total de três milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 15,3% superior ao registrado no ano passado (2,6 milhões de toneladas).

Apesar dos números, de acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado, Carlos Cavalcante, o crescimento desse setor dependerá de investimentos governamentais, em especial, a criação de um programa de infra-estrutura de irrigação.

O dirigente adverte que em comparação a outros estados, a exemplo daqueles localizados no Centro-Sul e no Sudeste do país, a cultura canavieira baiana tem enfrentado mais dificuldades para crescer. “Um dos problemas envolve a questão climática, pois o regime pluviométrico em diversas regiões baianas é insuficiente para atender uma expansão mais forte do plantio”, observa.

A única área com um fator climático adequado, segundo explica, está no sul da Bahia, mas até mesmo nessas zonas a cultura tem encontrado algumas barreiras ao seu desenvolvimento. “Existem conflitos de terra envolvendo índios e também obstáculos de ordem econômica, pois boa parte desse território está ocupada hoje com plantações de eucalipto, uma indústria atualmente mais rentável que a do álcool e a do açúcar”, ressalta.

Mesmo com os entraves detectados, Carlos lembra que ainda existem áreas no sul com forte potencial de expansão e distantes da influência do eucalipto, como as cidades de Lajedão e Medeiros Neto, ambas com capacidade para crescer mais 130 mil hectares nos próximos cinco anos. “Temos também outras regiões como o oeste e o São Francisco”, completa.

Entre os benefícios gerados com o aumento da área plantada, está a criação de milhares de novas ocupações no estado. “Nas zonas com chuva, por exemplo, a cada cinco hectares de cana-de-açúcar, é gerado um emprego direto. Já nas áreas irrigadas, a cada três hectares, é criado um novo posto de trabalho”, destaca. (Alan Amaral)

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