Mercado

Crise reduz mercado em US$ 1 bilhão

Queda de 22% nas vendas faz Brasil perder segunda posição no ranking mundial do setor. O mercado de defensivos neste ano agrícola deverá encolher US$ 1 bilhão. A seca prolongada na temporada anterior, associada à queda das cotações de alguns produtos agrícolas e à expressiva valorização do real comprometeu a renda dos agricultores e a sua capacidade de investimento em tecnologia. No ano passado, segundo Antônio Carlos Zem, diretor geral da FMC Química do Brasil e presidente do Sindicato Nacional da Indústria de produtos para Defesa Agrícola (Sindag), o setor faturou US$ 4,5 bilhões.

Neste ano, com uma queda nas vendas estimada em 22,2%, o Brasil perderá o segundo posto no ranking dos maiores consumidores de defensivos do mundo. Será superado pelo Japão, que apesar da pequena área agricultável, usa defensivos químicos de forma intensiva e ainda, paga pelos produtos até quatro vezes mais que os brasileiros. A liderança permanece com os EUA.

Além da redução do tamanho do mercado, a indústria de defensivos tem de enfrentar momentos difíceis. Zem acredita que os problemas do setor permanecerão em 2006, mas em 2007 a agricultura deverá prosperar. Até lá, a harmonia entre clientes e fornecedores dependerá de habilidade para evitar impasses. “O que mais desejamos é a manter a clientela, mesmo que isso represente um ônus das empresas”.

As dificuldades surgiram por causa do contraste acentuado entre os cenários do período em que vigorou a prosperidade (2001 a 2004) e o que sucedeu essa fase positiva, quando os produtores perderam receita e sem se ter preparado para eventuais percalços. A brusca virada no mercado, com queda nos preços e a desvalorização cambial, surpreendeu o produtor. O resultado foram atrasos nos pagamentos e a impossibilidade de negociar insumos para a próxima safra.

O diretor geral da FMC acredita que desse momento de adversidade resultará uma agricultura fortalecida. Haverá um processo depurativo em que os mais frágeis e despreparados desaparecerão, deixando lugar para os mais profissionalizados.

A queda nas vendas de defensivos na próxima temporada já é resultado desse processo de deputação, afirma Zem. Os agricultores estão mais atentos ao fazer as compras para a próxima safra. Além de uma compra mais racional, os produtores estão mais seletivos e aproveitam até as sobras do ano anterior. Além disso, uso de defensivos deverá ser reduzido, com eventual prejuízo nos resultados, com queda na produtividade.

O setor de defensivos que em situação normal arca com um custo de capital da ordem de 450 dias, desde a compra das matérias-primas até o recebimento das suas vendas ao consumidor final, neste ano terá esse prazo prorrogado de maneira expressiva.

Diante dessa situação adversa, os fornecedores de insumos se viram obrigados a renegociar entre 65% e 70% de seus créditos na expectativa de um sucesso relativo na próxima colheita. A receita proporcionada pela venda da produção não será suficiente para que todas as dívidas sejam quitadas. Mas as empresas terão buscar um ponto de equilíbrio financeiro para poder viabilizar a sobrevivência dos agricultores que se encontram descapitalizados.

Zem diz que o processo depurativo não se dará apenas entre os produtores agrícolas. Não será só o mercado que deverá encolher. A indústria, hoje bastante pulverizada e competitiva, deverá diminuir. Devem desaparecer as empresas menos estruturadas, deficiente na prestação de serviços e com capacidade econômica limitada.

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