Mercado

Cosan gasta R$ 398 milhões e assume 100% da Corona

Mônica Scaramuzzo De São Paulo

O grupo Cosan, maior companhia individual de açúcar e álcool do Brasil e segunda maior do mundo, anunciou ontem que assumiu 100% do controle da Açucareira Corona, com duas usinas em São Paulo, ao adquirir os 35% de participação que estava nas mãos da trading S/A Fluxo e os 30% que pertenciam à família Ugoline. O valor do negócio foi de R$ 398 milhões.

Em outubro do ano passado, o grupo, por meio de sua holding controladora, a Água Santa, adquiriu 35% de participação da Corona. À época, a transação previa que a Cosan poderia assumir integralmente o negócio. Em entrevista ao Valor, o vice-presidente administrativo do grupo, Pedro Mizutani, disse que a holding deixa de ter participação na Corona, transferindo o controle total para a Cosan.

“Com o negócio, o grupo Cosan aumenta sua capacidade de produção dos 31,5 milhões de toneladas de cana atuais para 39 milhões de toneladas de cana por safra”, disse Mizutani.

Com faturamento de cerca de R$ 2 bilhões em 2005 e o controle de 16 usinas no país, a Cosan deverá processar na safra 2006/07 cerca de 36 milhões de toneladas, 22,4% maior que o ciclo anterior. A produção de açúcar deverá saltar dos 2,4 milhões de toneladas atuais para quase 3 milhões de toneladas. “Com esta operação, somos agora o maior exportador individual de açúcar do mundo”, disse Mizutani. As exportações do grupo para a safra 2006/07 estão estimadas em 2,5 milhões de toneladas. O grupo produz cerca de 1 bilhão de litros de álcool.

O executivo explicou que os recursos para a compra da totalidade da participação da Corona foram captados na operação de abertura de capital da empresa (IPO, na sigla em inglês). O desembolso, de R$ 398 milhões, foi o segundo maior feito pelo grupo para a compra de uma usina. O maior valor despendido pela companhia foi durante a compra da usina Da Barra, em agosto de 2002.

No mercado, há notícias de que o grupo estaria se preparando novamente para emitir bônus perpétuos (títulos sem vencimento final) no valor de US$ 100 milhões para liquidar as dívidas existentes da Corona.

A empresa deverá continuar seu processo de expansão com a aquisição de novas unidades produtoras. Segundo Mizutani, a empresa está sempre prospectando novas oportunidades. “Neste momento, pretendemos consolidar nossas recentes aquisições [o grupo comprou sua 14ª usina, a Mundial, em dezembro do ano passado] e também fazer investimentos para expandir os negócios no mercado interno”.

Procurado pelo Valor, o presidente da S/A Fluxo, Manoel Fernando Garcia, disse que decidiu vender a participação da trading para o grupo Cosan porque a “proposta foi vantajosa” e que a empresa vai se concentrar no seu expertise, que é a comercialização de açúcar.

Garcia negou que a venda da participação teria sido motivada por problemas financeiros em razão dos ajustes diários que as tradings têm de fazer para as bolsas internacionais com os constantes reajustes dos preços futuros do açúcar em Nova York.

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