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Cosan cria empresa de energia e une-se a fundo para cogeração

O grupo Cosan está criando uma nova empresa, a Cosan Bionergia, para montar a maior companhia global geradora de energia a partir do bagaço de cana. O Valor apurou que essa nova empresa vai receber um aporte de R$ 500 milhões do Fundo de Investimento FI-FGTS, que já financia empreendimentos em infraestrutura – energia, transporte e saneamento no país.

Os entendimentos entre o grupo sucroalcooleiro e a Caixa Econômica Federal (CEF), gestora do fundo, estão sendo coordenados pelo banco Credit Suisse. As negociações entre as partes estão avançadas e essa parceria deverá ser anunciada nos próximos dias. A carteira do FI-FGTS tem cerca de R$ 17 bilhões disponíveis para aplicar em projetos de infraestrutura.

Os investimentos da Cosan em cogeração a partir do bagaço de cana deverão somar R$ 2 bilhões, dos quais boa parte já foi aplicada pelo grupo. Com o aporte, o fundo terá cerca de 20% de participação na Cosan Bioenergia e o grupo privado os outros 80%.

Esse projeto colocará a Cosan como a maior companhia geradora de energia a partir da biomassa do mundo. Atualmente, a Cosan já possui projetos de biomassa em andamento e também tem comprometida a venda de energia em leilões realizados pelo governo e com empresas privadas. As unidades paulistas do grupo, Gasa e Serra, já possuem contrato de longo prazo com a CPFL Energia. A unidade Barra, de Barra Bonita (SP), a maior do grupo, também fechou contrato de 15 anos, no valor de R$ 489 milhões, com o Rede Comercializadora de Energia.

A capacidade atual instalada de energia da Cosan é de 800 megawatts (MW), mas com os investimentos que estão em curso podem chegar a 1,2 mil MW. Só para se ter uma ideia, a usina hidrelétrica de Jupiá, da Cesp Paraná, tem capacidade para 1,6 mil MW. A expectativa é de que a receita gerada somente com energia, quando todos os projetos estiverem em andamento, fique em R$ 400 milhões por safra, a partir de 2012.

Onze das 23 usinas do grupo Cosan já possuem projetos de-cogeração de energia aprovados. Destas, quatro já estão em operação e outras quatro em fase de construção. As outras unidades estão na fase de pré-construção do projeto. Todas as unidades produtoras já obtiveram as licenças ambientais para instalação das caldeiras geradoras de energia. A perspectiva é de que todas as usinas do grupo com projetos estejam em operação a pleno vapor em 2012.

O Brasil possui cerca de 400 usinas de açúcar e álcool em operação, quase 100% delas autossuficientes em energia a partir do bagaço. Há cerca de 200 projetos de cogeração em implantação no país, que somados podem colocar no sistema 10,2 mil MW até 2013, segundo o consultor de energia a partir da biomassa Onório Kitayama, que atua hoje na Coomex. Se for utilizada a queima da palha da cana o potencial sobe para 19,284 mil MW. No entanto, ainda há poucos projetos que queimam a palha.

A usina Equipav, do grupo Equipav, em capacidade instalada de cerca de 164 MW em uma única unidade, segundo Kitayama. O grupo já começou a fazer testes com a palha da cana.

A energia a partir da biomassa já é considerada o segundo principal negócio para algumas usinas do país, atrás do álcool, que representa a principal receita. Todos os projetos “greenfield” (construção a partir do zero) dos grupos sucroalcooleiros contemplam cogeração a partir do bagaço de cana em suas unidades.

Há quase duas semanas, o grupo Cosan anunciou a aquisição da Nova América, com quatro usinas de açúcar e álcool. Com a compra, a capacidade instalada do grupo em moagem de cana sobe quase 30%, considerando o processamento realizado na safra 2008/09. Todo esse bagaço adicional da Nova América também poderá ser convertido em energia pelo novo controlador.

Maior grupo sucroalcooleiro do mundo, a Cosan tem 23 usinas em operação – a unidade Jataí, de Goiás, inicia a safra a partir de julho. Na safra 2008/09, que se encerra em março, o grupo moeu cerca de 44,2 milhões de toneladas. Com a aquisição da Nova América, com as quatro usinas, a moagem soma 56 milhões de toneladas, mas a capacidade total supera 60 milhões de toneladas.

Procurada pelo Valor, a Cosan informou apenas que negocia parceria com vários fundos em cogeração, entre eles o FI-FGTS, e analisa oportunidades no mercado. Já a Caixa Econômica Federal (CEF) não retornou o pedido de entrevista.

Com faturamento da ordem de R$ 2,7 bilhões na safra 2007/08, o grupo deverá registrar um forte incremento na receita com a incorporação da Esso. No balanço de resultados da safra 2008/09, a Cosan reportou receita líquida de R$ 2,565 bilhões no terceiro trimestre. (Mônica Scaramuzzo)

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