Mercado

Cai demanda por soja

Não é só no Brasil que a gripe aviária derrubou os preços de carnes e, agora, começa a afetar o mercado de grãos. Na China, maior importadora de soja do mundo, o preço do farelo já caiu 15% desde o início de janeiro. Ontem, a alfândega do país informou que as importações chinesas de soja recuaram 25% em fevereiro, frente ao mesmo mês do ano passado, devido ao surto de gripe aviária. O farelo de soja é usado como ração nas criações de aves e suínos. Com o consumo de aves em queda, por causa da gripe aviária, também caíram as importações de soja.

No mês passado, a China importou 1,1 milhão de toneladas de soja. No primeiro bimestre, as compras somaram 2,8 milhões de toneladas, uma queda de 16% na comparação com o mesmo período de 2005.

Na Bolsa de Chicago, principal mercado negociador de commodities agrícolas, o milho — que também é usado como ração animal — e a soja estão em queda. A cotação do milho recuou 1,2% na semana passada e, este mês, já acumula queda de 8,4%. A soja, depois de ter recuado 0,5% na semana passada, chega ao fim de março com queda de 5,3% no mês.

Enquanto soja e milho estão em queda, as cotações do açúcar continuam em alta no mercado internacional, devido à maior demanda mundial por álcool. Mas os analistas acreditam que, tão logo tenha início a safra de cana-de-açúcar no Brasil, os preços deverão recuar com força no mercado doméstico, principalmente no caso do álcool:

— Já há produtores prevendo queda de até 30% nos preços — diz Marco Antonio Franklin, da Plenus.

Ele lembra que a produção brasileira de cana-de-açúcar deverá crescer 8% este ano. Mas, mesmo com a entrada da safra, os preços do álcool não devem voltar aos patamares de meados do ano passado. Só no primeiro trimestre de 2006, o álcool subiu 24,4% ao consumidor. Juntos, álcool e gasolina (que teve alta de 3,5%) responderam por um terço da inflação de 1,41% no primeiro trimestre. (Luciana Rodrigues, com Bloomberg News)

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