Mercado

Braskem consumirá 150 mil m³ de etanol para produzir ETBE

A Braskem vai consumir 150 mil m³ (150 milhões de litros) de etanol de cana-de-açúcar, em 2009, para produzir o bioaditivo automotivo ETBE (Ethyl Tertiary-Butyl Ether). A unidade do Polo de Triunfo, no Rio Grande do Sul, produzirá 100 mil m³. Os outros 50 mil m³ serão produzidos, a partir de julho, na nova unidade que entrará em operação no Polo de Camaçari, na Bahia.

A partir deste ano, parte da produção do ETBE da Braskem será consumida pelo mercado japonês. A empresa brasileira firmou um contrato de longo prazo com a Sojitz Corporation que corresponde ao envio de 120 mil toneladas do produto ao Japão, ao longo de três anos. A unidade do Polo de Triunfo produz atualmente 160 mil toneladas anuais do produto.

O ETBE é produzido pela mistura de etanol (43%) com isobuteno (57%). O produto será usado como substituto ao MTBE (Methyl Tertiary-Butyl Ether), um elevador de octanagem na gasolina, devido às suas características ambientais mais favoráveis, e adequadas às exigências atuais, refletindo também na redução de CO2.

A partir de 2010, a indústria japonesa de petróleo planeja consumir 840 mil m³ de ETBE por ano. Na Europa, cerca quatro milhões de toneladas de ETBE já são comercializados anualmente. A Sojitz começará a vender o ETBE a partir deste ano e já pensa em expandir os volumes para vender aos mercados japonês e europeu.

De olho no aumento da demanda, a empresa está investindo R$ 100 milhões na unidade de Camaçari, na Bahia, para converter a produção de MTBE em EBTE. Quando o projeto estiver concluído, no segundo semestre deste ano, a Braskem terá capacidade para produzir 330 mil toneladas de ETBE anualmente.

Verde

De acordo com a gerente de álcool da Braskem, Denise Zappas, a demanda da empresa por etanol crescerá em 2011, por conta do início das operações da unidade que está sendo instalada no Polo de Triunfo para produzir “plástico verde”, polietileno de alta e baixa densidades que usará etanol da cana-de-açúcar como matéria prima.

O Projeto PE Verde, como é chamado, vai demandar um volume anual de etanol da ordem de 700 mil m³ (700 milhões de litros). O biocombustível será fornecido por diferentes usinas, de acordo com as condições logísticas e de mercado.

A Braskem lançará a Pedra Fundamental do Projeto PE Verde no dia 22 de abril. No local, está sendo implantado o canteiro de obras, com a sondagem do terreno e a instalação de utilidades – infra-estrutura para água, esgoto e energia elétrica.

A construção civil será iniciada ainda este mês, com o estaqueamento e as fundações dos prédios. De acordo com a empresa, a obra irá gerar 1,5 mil empregos e deverá ser concluída no final de 2010. A operação comercial está prevista para começar em 2011.

Com investimento de R$ 500 milhões, o projeto de polietileno verde terá uma capacidade de produção de 200 mil toneladas por ano. A tendência mundial de redução das emissões de CO2 na atmosfera tem impulsionado a demanda no mercado por plásticos de origem vegetal.

Além de contribuir para a redução do efeito estufa, polietileno verde de cana-de-açúcar possui vantagens sobre outros plásticos de base vegetal. Com ele, é possível utilizar os equipamentos de transformação e sistemas de reciclagem disponíveis, já que tem as mesmas propriedades e características do plástico baseado em petróleo.

O produto pode ser utilizado na fabricação de garrafas, filmes, sacolas plásticas, caixas, artigos de higiene pessoal e doméstica e componentes automotivos, entre outras aplicações.

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