Mercado

Brasil precisará de mais 80 usinas até 2013

“Não existe concorrência à altura da competitividade do Brasil no mercado de álcool”. Engana-se quem acredita que a frase acima tenha sido pronunciada por algum otimista incorrigível representante do setor sucroalcooleiro brasileiro. Na realidade, foi dita por Jacques Gillaux, executivo da Cargill International S/A, de Genebra Suíça, durante a quinta conferência internacional sobre açúcar e álcool, promovida pela Datagro, em São Paulo, em 20 de setembro último, no Grand Hyatt.

A conferência reuniu em torno de 500 executivos e profissionais ligados ao setor de açúcar e, principalmente, de álcool combustível, do Brasil e do exterior. Os palestrantes e painelistas convidados tentaram responder a perguntas atuais do setor.

Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Única – União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo, falou sobre as condições estruturais brasileiras de atender as demandas domésticas e de manutenção da participação do Brasil no mercado mundial.

Pádua entende que o setor sucroalcooleiro brasileiro está diante de um grande desafio a ser vencido, caso queira ter mesmo um crescimento sustentado. Ele traçou um cenário de demanda para 2010/2011, que exigirá moagem de 560 milhões de toneladas de cana e em 2013/2014, de 670 milhões de toneladas de cana.

Apenas em 2010/2011, a demanda por álcool no mercado interno deverá ser de 22,1 bilhões de litros e a demanda de exportação de 5,2 bilhões de litros, prevê Pádua, com base em estatísticas da Unica. A demanda por açúcar no mercado interno, no mesmo período, será de 11 milhões de toneladas e, no mercado externo, de 24 milhões de toneladas.

Pádua não esconde sua apreensão. Os atuais 51 projetos de novas unidades anunciados – dos quais 41 estão em fase efetiva de execução, resultarão em oferta de cana de 70 milhões de toneladas. São números significativos neste primeiro momento, mas insuficientes para atender a demanda, alerta.

Pádua faz uma conta simples para revelar o motivo de sua apreensão. Mostra que a soma da produção atual com a da capacidade dos novos projetos em diferentes fases de implantação resultam em cerca de 510 milhões de toneladas de cana. Para chegar aos 560 milhões necessários em 2010/11 são necessárias pelo menos mais 50 milhões de toneladas e para chegar aos 670 milhões em 2013 faltam 160 milhões de toneladas. Isto exigiria o aparecimento de pelo menos mais 80 unidades de porte médio, que venham a moer

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