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Brasil já tem cana-de-açúcar para o cerrado

No que depender de variedades próprias, a expansão da cana-de- açúcar no cerrado já pode começar.

O Instituto Agronômico (IAC), o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento Sucroalcooleiro (Ridesa) e uma empresa, a Canavialis, vêm trabalhando no desenvolvimento de variedades de cana resistentes a solos pobres, ao stress hídrico e adaptadas à colheita mecanizada. Tais características são fundamentais para a planta suportar o solo pobre e os veranicos do cerrado brasileiro, e ainda ser conformada para a colheita mecanizada.

Para ter-se idéia da importância da pesquisa de variedades para o cerrado, basta lembrar que,no futuro, a matriz energética mundial deixará de ser os combustíveis fósseis, que devem ser substituídos por biocombustíveis – entre eles, o álcool de cana. O crescimento da frota nacional de carros bicombustíveis também forçar á ao aumento da área plantada. Só no Centro-Sul, a área deverá crescer 2 milhões de hectares até 2011, conforme a União da Agroindústria Canavieira.

PASTAGENS DE GRADADAS

Por enquanto, as principais expansões têm ocorrido no noroeste paulista e no Triângulo Mineiro. O cerrado, porém, não ficará fora dessa expansão, cedendo sobretudo áreas de pastagens degradadas. “O cerrado é uma prioridade”, diz o pesquisador William Burnquist, coordenador de Tecnologia do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba (SP). Goiás, por exemplo, já possui 13 usinas de açúcar e álcool e 5 em instalação; em Mato Grosso do Sul, já há 9 usinas e2emconstrução.EmSãoPaulo, mais 29 usinas – a maioria no norte e no noroeste – se juntarão às atuais 177 usinas. O CTC já possui cinco variedades de cana com bom desempenho no cerrado. Além disso, têm experimentos que devem levar 12 anos para apresentar resultados. “Já tem os seedlings – a primeira fase da seleção – em Goianésia e ao norte e noroeste de São Paulo.”

Já o IAC vem testando, conforme o pesquisador Marcos Landel, variedades em Goiás, Minas e em sete estações em São Paulo. “São variedades inicialmente desenvolvidas para SP”, diz. “Quando se sobressaem, nós as levamos para o cerrado”, continua. Os testes no cerrado começaram há quatro anos. “Em três anos teremos novidades”, garante.

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