Mercado

Brasil ganha biodiesel em 2005

Em breve, mais precisamente em 2005, o Brasil terá mais um tipo de combustível: o diesel de origem vegetal. O centro de pesquisas da Petrobrás no Rio Grande do Norte está levando a passos largos o projeto biodiesel. A idéia é extrair da mistura de sementes vegetais e álcool um produto, batizado de biodiesel, que pode ser misturado ao óleo diesel comercial consumido nacionalmente – da mesma forma que acontece com a gasolina, que recebe um percentual de álcool. Os pesquisadores garantem que a composição não afetará em nada os motores dos carros à diesel fabricados atualmente.

O estudo do biodiesel não é novidade no mundo. Boa parte da Europa e alguns países asiáticos já acrescentam o biodiesel ao diesel derivado de petróleo. No Brasil, o projeto é estudado há mais de 20 anos. O diferencial na experiência desenvolvida pela Petrobrás é que, no lugar de utilizar o óleo extraído das sementes, o biodiesel é obtido a partir da junção da própria semente ao etanol (álcool).

As sementes utilizadas variam desde o girassol até o amendoim. Por uma questão climática, os técnicos da empresa no Rio Grande do Norte optaram pela semente da mamona como matéria-prima do biodiesel. De acordo com o coordenador do projeto, Ulisses Costa, a escolha da mamona não foi por acaso. “Foi uma questão lógica. Nosso clima é muito quente e uma das sementes que melhor se adapta a ele é a mamona. Além disso, é uma semente que pode ser plantada em qualquer lugar, por qualquer pessoa”, afirma. Segundo ele, as sementes utilizadas para a fabricação do combustível foram recomendadas pela embrapa. “Eles nos mandaram sementes selecionadas, aptas para as experiências”, disse.

ECONOMIA – Atualmente, a Petrobrás importa 30% do diesel vendido no Brasil. A idéia é produzir uma quantidade de biodiesel suficiente para baixar esse volume de importação para 25%. “O projeto começou há um ano e tem 95% de chance de dar certo. Nosso projeto ainda está em fase piloto. Hoje, nossa capacidade é de produção é de apenas 5.600 litros por dia”, conta Ulisses.

Outro segmento no qual o projeto também poderá causar impacto é no de agronegócios, sobretudo no Nordeste. Segundo Ulisses, depois de o projeto consolidado, toda a mamona produzida no Brasil poderá ser comprada pela Petrobrás. “Mas só compraremos as sementes que estamos utilizando. Vamos fornecer as sementes selecionadas para os plantadores interessados”, adiantou.

Os produtores de mamona também terão outro benefício. O técnico da Petrobrás afirma que toda a água doce extraída junto com o petróleo poderá ser tratada e distribuída para algumas plantações. “Essa água geralmente é jogada fora. Nossa idéia é utilizá-la na irrigação, em alguns cultivos próximos aos poços e perfurações petrolíferas”, concluiu.

Banner Revistas Mobile