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Brasil deve aumentar exportação de tecnologia no setor sucroalcooleiro

O Brasil é o maior detentor mundial de tecnologia para o processamento de cana-de-açúcar. Esse título será reforçado com o aumento neste ano das exportações de tecnologia, equipamentos e componentes de usinas previstos por alguns fabricantes nacionais, como a Dedini, de Piracicaba, e a Caldema, de Sertãozinho. As duas empresas estão entre as 60 que participam da Feicana em Araçatuba. No total, 90 estandes foram montados para apresentar o que há de mais moderno no setor na feira, que vai até amanhã.

A Dedini, que exporta tecnologia para países como os Estados Unidos, além dos países latinos, será agora a principal parceira da India no programa de adoção do álcool combustível, que começa a vigorar ainda neste ano naquele país.

A mistura de álcool anidro na gasolina será inialmente de 5% devendo chegar ao índice de 25%, como é atualmente no Brasil. A India é a segunda maior produtora de cana do mundo, seguida do Brasil.

A Dedini terá participação de 5% em cada unidade instalada pela holding Uttan, que atua na India e que começa a adotar os equipamentos de fabricação brasileira a partir do segundo semestre deste ano, segundo o superintendente da Dedini, Marcos José Ramalho. A modernização das usinas, diz ele, deverá ser feita de forma gradativa nas usinas da India.

O país tem cerca de 600 usinas, todas de pequeno porte, com produção média de 60 mil litros por dia, quando no Brasil são 308 unidades, a maioria de médio e grande porte. Além da tecnologia, a Dedini manda os componentes e equipamentos para a India.

Com a abertura das exportações, a empresa brasileira deverá aumentar o seu faturamento de R$ 400 milhões, registrados no ano passado, para R$ 450 milhões neste ano. Com 3 mil funcionários e 11 fábricas, das quais nove em São Paulo, uma em Maceió e uma no Recife, a Dedini atua nos setores de cervejaria, fertilizantes, alimentos em geral, siderurgia e hidrogeração.

O segmento de álcool e açúcar representa 36% das atividades da Dedini, fundada em 1920, com fabricação voltada para o setor sucroalcooleiro. Devido às exportações para a India esse índice deverá subir para 40% neste ano, segundo Ramalho. A Dedini é a única empresa que detém a tecnologia de todos os seus itens produzidos. Fabricante de vários equipamentos para usinas, desde a recepção da cana até a pesagem do produto, a empresa possui ainda duas usinas – a Usina São Luiz de Pirassununga e a Usina São João da Boa Vista.

A Caldema Equipamentos Industriais, detentora de tecnologia própria para produção de caldeiras e de outros componentes para usinas e destilaria, também deverá ampliar suas exportações neste ano. “Estamos em negociação com o México”, afirma o diretor comercial da Caldema, Sidnei Galloro. Ele destaca a importância da tecnologia brasileira no setor sucroalcooleiro mundial. “Não há país que se iguale ao Brasil nesse assunto”, afirma.

O reconhecimento do mercado internacional, diz ele, contribuiu para que a Caldema tenha como clientes vários países da América do Sul e o Caribe. Hoje, a Caldema exporta 40% de toda a sua produção. No ano passado, a empresa teve faturamento de R$ 70 milhões, volume esse que deverá se manter este ano, prevê o diretor.

A Caldema está na lista das quatro principais fabricantes de caldeiras do país. Além dela, atuam ainda no mercado a Dedini, a Equipalco e a Sermatec.

Empresas avaliam potencial da região para instalar filiais – As indústrias do setor sucroalcooleiro das grandes regiões produtoras de álcool e açúcar, como Piracicaba e Sertãozinho, avaliam a possibilidade de instalar postos de atendimento na região de Araçatuba. “As usinas tiveram um grande desenvolvimento nos últimos anos e por isso analisamos a hipótese de investimento na região”, afirma o diretor comercial da Caldema Equipamentos Industriais, de Sertãozinho, Sidnei Galloro.

Ele definiu a região produtora de Araçatuba como “muito promissora para novos investimentos”. Segundo ele, se o preço do álcool e do açúcar continuar favorável, a Caldema deverá abrir na região, possivelmente em Araçatuba, um posto avançado com pessoal especializado para prestar assistência técnica às destilarias e usinas.

A partir do posto, afirma ele, os negócios poderão ser ampliados. “Poderemos disponibilizar equipamentos e componentes e no futuro, dependendo da reação do mercado, instalar até uma fábrica”, disse.

A Dedini, maior fabricante brasileira de equipamentos para usinas, com sede em Piracicaba, também analisa a possibilidade de abertura de ponto regional de atendimento. “Seria um tipo de filial na região de Araçatuba”, afirma o superintendente da empresa, Marcos José Ramalho.

Ele afirmou que a empresa não deverá fazer grandes investimentos no momento porque adquiriu, no ano passado, uma nova fábrica de fundição em Piracicaba, com investimentos de R$ 30 milhões. “Mas a região de Araçatuba deverá merecer avaliação nos próximos anos”, disse.

A Dedini apresenta na feira dois grandes equipamentos – a moenda para extrair o caldo da cana e o tomador de amostra que, segundo Ramalho, vai colocar um fim na polêmica entre fornecedor e a usina. O novo equipamento tem capacidade de medir com mais precisão o teor de sacarose da cana, que é o que define o preço do produto.

O diretor da Caldema, Sidnei Galloro, elogiou a Feicana de Araçatuba. “Fiquei muito surpreso. Pensei que seria mais modesto, mas começou muito melhor que a Fenasulcro, que hoje é uma grandiosidade”, disse. A Fenasulcro é a maior feira do setor sulcroalcooleiro do país e que acontece todos os anos em Sertãozinho, em setembro.

Segundo Galloro, a Feicana deverá atrair muito mais expositores em sua segunda edição, no ano que vem. “Quem deixou de vir vai se arrepender e deverá confirmar presença na próxima edição”.

Eliane Eme Sato

(Folha da Região)

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