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BR Distribuidora investe na cogeração

De olho no leilão de energia nova, previsto para dezembro deste ano, a Petrobras Ditribuidora (BR) inaugura amanhã, em Maceió (AL), a primeira das unidades de cogeração construídas a partir de um convênio com a Infraero, a estatal que administra os aeroportos brasileiros. A nova unidade, que demandou R$ 40 milhões só da BR, será instalada no aeroporto da capital alagoana e terá capacidade para gerar 780 kilowatts (KW) de energia, e 750 TRs de refrigeração.

Segundo o acordo firmado no ano passado entre as estatais, a próxima unidade de cogeração, com 4,1 mil megawatts (MW), será construída a partir da semana que vem no aeroporto de Congonhas (SP). O gerente de Comercialização e Soluções de Energéticas da BR, Renato Costa, revela que o investimento poderá alcançar R$ 130 milhões, dos quais 70% financiados.

O executivo afirma que a subsidiária de distribuição da Petrobras negocia, ainda, a formação de parcerias com usinas de açúcar do país para disputar alguns dos projetos previstos pelo Ministério de Minas e Energia no próximo leilão de energia nova.

A idéia, segundo Costa, é aproveitar o relacionamento já existente com os produtores de álcool para construir projetos de geração de energia a partir de bagaço de cana-de–açúcar. Desde a implantação do Proálcool, cabe à BR adquirir dos usineiros o álcool utilizado como combustível e na mistura com a gasolina.

Com relação ao acordo firmado com a Infraero, Costa revela que a unidade de cogeração foi erguida pelo sistema BOT (do inglês Build, Operate on Transfer), que prevê a construção e operação da usina pela BR por um prazo de 14 anos. Ao fim desse período, a unidade será transferida integralmente para a Infraero. O projeto aliviará a pressão sobre o Sistema Interligado, ao permitir a auto–geração de praticamente 95% da carga consumida pelo aeroporto. A CEAL, distribuidora de Alagoas, continuará a fornecer um pequeno percentual da energia total, além de garantir o back up da usina durante as paradas programadas para manutenção.

Ainda com relação à parceria, o executivo revela que, dos 66 aeroportos administrados pela empresa no Brasil, pelo menos 16 apresentam potencial para a implantação de projetos de cogeração. Além de Maceió e Congonhas, aeroportos como Santos Dumont (RJ) e Vitória (ES) serão contemplados com investimentos dessa categoria.

Segundo Costa, da mesma forma que em Maceió, as obras deverão ser viabilizadas por meio da contratação de epecistas (da sigla em inglês EPC — Engineering, Procurement and Contractors), que ficarão responsáveis pelos projetos de engenharia das usinas, além da procura e contratação dos materiais a serem empregados. Dessa forma, segundo ele, a estatal estimula a produtividade, gera mais empregos e agrega mais tecnologia aos projetos.

A Gerência de Comercialização e Soluções Energéticas da BR foi criada em 2000, pouco antes do racionamento de energia do país entre 2001 e 2002. Desde então, além de investir em 560 MWs das chamadas usinas termelétricas emergenciais, operadas a partir de óleos diesel e combustível, a Gerência partiu para a constituição de projetos de geração distribuída de energia, a partir de gás natural, biomassa, energias renováveis e bagaço de cana.

Também investe na construção de usinas do tipo PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas). Atualmente, revela Costa, encontram–se em análise pelo comitê do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), do Ministério de Minas e Energia, projetos de usinas de biomassa e PCHs. “Nosso objetivo é investir em projetos que agreguem valor ao produto da Petrobras, de modo a beneficiar o país e maximizar a rentabilidade de nossos projetos”, afirma o gerente da BR.

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