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BNDES vai financiar o maior parque eólico da América Latina

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou ontem, em um ato liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contrato que concede um empréstimo de R$ 465 milhões à Enerfin Enervento para a instalação de três parques eólicos de geração elétrica.

O contrato foi assinado pelo presidente do BNDES, Guido Mantega, e pelo presidente da empresa Ventos do Sul Energia, Telmo Magadan, em uma cerimônia especial em São Paulo.

A Ventos do Sul é um consórcio liderado pela Enerfin Enervento, empresa controlada pelo grupo espanhol Elecnor e completado pela Wobben, subsidiária no Brasil do grupo alemão Enercon e dedicada à fabricação de geradores eólicos, e pelo grupo CIP Brasil.

A cerimônia de assinatura do contrato estava prevista para o dia 4, no Rio de Janeiro, mas foi adiada para ontem, em São Paulo, porque Lula manifestou sua intenção de assistir ao ato que dará origem ao maior parque eólico da América Latina.

A cerimônia também teve a presença dos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan; da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos; e das Relações Exteriores, Celso Amorim; e do diretor-geral da Enerfin, Guilhermo Planes Roca.

O projeto prevê a construção de três parques eólicos com capacidade para gerar 50 megawatts de energia cada um em Osório, município do Rio Grande do Sul. Por sua capacidade, o parque se transformará na segunda maior central de energia eólica do mundo, segundo o BNDES.

O empréstimo concedido pelo BNDES corresponde a 69% dos R$ 674 milhões que a Ventos do Sul investirá na construção dos parques eólicos Índios, Osório e Sangradouro. O banco oferecerá diretamente R$ 105 milhões, e o resto do crédito será concedido por um consórcio formado, entre outros, pelo Banco do Brasil, o espanhol Santander Central Hispano e o holandês ABN Amro Bank.

Empréstimo

O empréstimo faz parte de uma linha de crédito especial criada pelo governo dentro do Programa de Apoio Financeiro a Investimentos em Fontes Alternativas de Energia. Este será o primeiro crédito concedido pelo BNDES para esta linha. O programa de apoio às fontes alternativas prevê somar 3.300 megawatts de potência ao sistema elétrico a partir de 2006.

O BNDES informou que está estudando empréstimos para outros projetos de geração de energia eólica no valor total de R$ 1,4 bilhão. O objetivo do governo é incentivar projetos que diversifiquem a atual matriz energética brasileira com fontes de recursos renováveis e sem risco hidrológico, além de reduzir as emissões de gases poluentes.

No Brasil, apenas 28,6 megawatts são gerados por energia eólica, o que equivale a apenas 0,03% da capacidade de geração do país, a maior parte dela baseada em grandes usinas hidrelétricas.

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