Mercado

Biomassa renderá mais que o açúcar

A bioeletricidade deverá garantir, no futuro, uma parcela no faturamento das usinas de cana-de-açúcar maior até do que a do açúcar, mas antes o setor terá de superar obstáculos, alguns deles relacionados ao preço pago pelo megawatt hora (MWh) nos leilões do governo.

Hoje a bioeletricidade representa pouco do faturamento. Mas entendemos que no médio e longo prazos deverá ser mais importante que o açúcar. Ou seja, o principal produto será o álcool e o segundo será a eletricidade, afirmou o presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank.

O executivo disse ainda que o setor, assim, será mais energético do que alimentar, embora isso dependa também de questões como a abertura do mercado mundial de álcool, da harmonização dos tributos do combustível entre Estados, que provoca distorções no mercado interno, e de um programa de bioeletricidade.

O primeiro passo para o desenvolvimento da energia elétrica de biomassa, destacou Jank, seria dado com a realização de um leilão no começo do ano que vem voltado especificamente para a comercialização de bioenergia, gerada por meio da queima do bagaço da cana e da palha. Estamos estudando com o governo mecanismos que façam com que as usinas antigas, onde está a maior parte da cana, tenham remuneração adequada em um grande leilão, que seria feito no ano que vem, após o Carnaval, exclusivamente para a bioenergia, disse Jank.

O executivo afirmou que para a bioeletricidade sair em grande volume no leilão de 2008 vão ser necessárias medidas concretas e urgentes. Nos leilões deste ano, o preço não atraiu as usinas. Por meio dos leilões, o governo garante a oferta de energia para o futuro, uma vez que as distribuidoras realizam negócios com as fontes geradoras. Teríamos condições de entrar em um leilão que ofertasse pelo menos 3 mil MW a partir de 2010, o equivalente a uma das usinas do rio Madeira.

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