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Biocombustível provoca nova corrida do ouro

A onda de investimentos em biocombustíveis pode estar virando numa nova corrida do ouro, alerta o professor Geoffrey Hewings, da Universidade de Illinois.

Ele pesquisa justamente um dos pontos mais polêmicos da expansão dos biocombustíveis: o impacto no preço dos alimentos.

Hewings esteve no Recife participando do 5º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos, ocorrido no Mar Hotel, entre os dias 24 e 26. Em seu estado, cinco unidades de produção de etanol com base no milho estão sendo construídas. O que está beneficiando fazendeiros. “Eu tenho um sítio, e antigamente vendia um bushel (equivalente a 27 quilos) de milho a US$ 2,20 e agora está sendo vendido a US$ 4. E o milho é usado em boa parte da cadeia alimentar, como na alimentação de aves”, diz.

Ele enfatiza que todos os fazendeiros estão alegres com a expansão do biocombustível nos Estados Unidos, mas os consumidores comuns podem ter perdas maiores. “Vamos ter mais energia sendo produzida internamente, mas a um custo mais alto. É um cálculo a ser feito, qual o ganho de bem estar por substituir petróleo por biocombustível ao preço de pagar mais caro pela comida?”, questiona. Ele lembra que, tradicionalmente, os Estados Unidos possuem um custo baixo de alimentação.

O professor diz não ter a ilusão de que os Estados Unidos poderiam ter uma substituição de gasolina por etanol tão grande como o Brasil, que possui décadas de experiência no assunto e produz com base na cana-de-açúcar, mais produtiva do que a produção a partir do milho. Mas, mesmo para todo o planeta, ele diz que os biocombustíveis são apenas um produto dentro de um portfólio de soluções, e não pode ser encarado como a solução. “Não há terra suficiente para fazer tanto biocombustível”, diz o professor.

Para ele, a verdadeira solução está na busca de maior eficiência energética e redução do consumo. “Nos Estados Unidos, quando alguém tem uma doença, normalmente vai ao médico e pede uma pílula. Quando está gordo, também faz a mesma coisa, em vez de imaginar que pode resolver comendo menos. Os biocombustíveis estão sendo encarados da mesma forma, como a pílula que vai permitir continuar aumentando o consumo de energia”, compara.

Segundo ele, o mundo está se movendo de forma muito rápida em direção aos biocombustíveis. “Estamos apostando muito rápido nisso. É uma nova corrida do ouro. Mas não acredito que seja sustentável”, decreta.

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