Mercado

Biocombustível, hora H

Muito mais do que antes da manifestação dessa crise financeira global, o governo brasileiro tem de apoiar amplamente a produção de biocombustíveis, pois este segmento representa exatamente valioso aliado da luta brasileira para neutralizar os efeitos desse embaraço econômico mundial.

Hélio Rocha

Além do mais, o Brasil, sendo privilegiado nesta questão, como poderia renunciar às oportunidades neste campo, tão a seu alcance no mercado internacional?

Registro aqui resumidos trechos de um comentário de Miriann Fischer Boel, Comissária Européia da Agricultura, para comprovar como a Europa gostaria de ter este privilégio.

Ela diz, por exemplo: “As políticas européias de ambiente e de energia enfrentam grandes desafios nesta época de fenômenos climáticos extremos, que têm contribuído para convencer a opinião pública de que é preciso atuar no plano político.”

“Estamos perante uma situação insustentável, pois até 2030 teremos de importar 65% de nossa energia se não modificarmos radicalmente a nossa política energética.”

“Os biocombustíveis representam parte importante da solução. A agricultura responde às expectativas. Além das plantas energéticas, a agricultura e a sivicultura poderão gerar energias limpas e renováveis.”

Nem otimismo vazio, nem pessimismo cego. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Assim é que deve ser trabalhado o cenário para a era dos biocombustíveis. Serão necessários cuidados e controles, zoneamentos e rotações, sob normas legais prudentes, a fim de que não se tenha danos ambientais e prejuízos para os demais cultivos, mas imaginar que a produção em maior escala de combustível derivado da cana-de-açúcar ou outros vegetais irá provocar fome é alarmismo equivocado.

Quando a soja começou a ser plantada no Brasil também surgiram ataques à expansão dessa cultura agrícola, com argumentos de que a sojicultura reduziria a produção de produtos alimentícios, como o arroz, por exemplo, fazendo com que ficassem mais caros, pelo encolhimento da oferta, ou que sumissem mesmo do mercado.

Até pelo contrário, de alguma forma, provocando a introdução de novas tecnologias, a sojicultura contribuiu para modernizar outros cultivos, com substanciais ganhos de produtividade. Provavelmente, para citar novamente o exemplo do arroz, hoje o produto é mais barato do que antes do advento da soja. E o óleo de cozinha derivado de soja beneficiou as famílias de menor poder aquisitivo, pois é incomparavelmente mais barato do que os que, antes, os brasileiros consumiam.

A questão deve ser olhada com responsável realismo, ao ponto de também não se imaginar que está vindo por aí um milagre econômico. Sem dúvida haverá apreciáveis ganhos para a economia dos Estados que vão produzir mais biocombustíveis, como é o caso de Goiás, mas não em medidas descomunais.

Já o pessimismo exagerado, sectário e cego, contém ingredientes até malthusianos. O inglês Thomas Malthus (1766-1834) construiu a teoria segundo a qual a produção de alimentos, limitada a um ritmo aritmético, jamais conseguiria acompanhar o crescimento populacional, que se dava em escala geométrica. Como não punha fé na perspectiva de crescimento da produtividade, a sua tese ficou furada.

A Comissária Européia de Agricultura acena com a segunda geração de biocombustíveis, que estarão sendo consumidos a partir de 2015, os quais, do ponto de vista ambiental, serão tão eficazes como a energia eólica.

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