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Barreiras persistem sobre etanol, diz Lago

O ministro do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores (MRE), André Correa do Lago, considerou hoje que ainda há grandes obstáculos para que o etanol seja aceito em outros países como alternativa de energia sustentável.

A declaração foi feita durante o seminário Exportação e Logística do Etanol: Caminhos para a Consolidação da Liderança Global, em São Paulo (SP).

“O biocombustível nunca é tratado, por outros países, como dentro do setor de energia, por isso, está sempre fora de contexto”, disse Lago, destacando que há uma propensão de ligarem o biodiesel ao setor agrícola, vinculando-o aos alimentos. “Isso é muito negativo, pois, muitas vezes acabam considerando sua produção como um risco para o setor alimentício. Nossos vizinhos, inclusive, têm sido muito ativos contra o biodiesel. A Bolívia chegou a pensar em proibir sua utilização por meio da constituição”, ressaltou.

“Outros países levam em consideração pesquisas internacionais com números muitos teóricos e científicos, mas que não demonstram a real situação brasileira. Já os estudos brasileiros não são reconhecidos, considerando-se que o País tem interesses na utilização do biocombustível”, criticou. No entanto, o ministro alertou que o argumento sobre a utilização da terra como ferramenta para a produção de cana de açúcar (matéria-prima para a produção do etanol) é o mais ouvido, “e, portanto, não deve ser subestimado, mas trabalhado com muito cuidado”.

Lago destacou também que o governo brasileiro tem grande interesse em incentivar a produção do etanol a partir da cana-de-açúcar em outros países para que seja consolidado um mercado mundial do produto. “Não temos capacidade para suprir a demanda mundial”, lembrou. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol, atrás apenas dos Estados Unidos, este, entretanto, produz etanol a partir do milho, com uma produção de alto custo e não é viável no longo prazo.

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