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As vantagens da biomassa brasileira

Para justificar o potencial da indústria brasileira de etanol, o estudo revela que o país utiliza apenas 16% dos 220 milhões de hectares de terras aráveis disponíveis. A título de comparação, revela que China e Índia, outros gigantes em extensão territorial, já utilizam 100% das porções aráveis de solo.

“Tais números evidenciam o caráter sustentável do agronegócio brasileiro, uma vez que preserva as condições de segurança alimentar do País”, exalta o professor Roberto Hukai, do Instituto de Energia e Eletrotécnica da Universidade de São Paulo, ao acrescentar que o Brasil detém, ainda, 22% das reservas de água fresca do mundo. “

A Austrália, por exemplo, que dispõe da mesma quantidade de terra arável que o Brasil, detém apenas 1% das reservas mundiais de água fresca. Apenas Canadá e Rússia dispõem da mesma quantidade de terra e água que o Brasil, mas não têm sol. Daí nossa vantagem competitiva”.

Como se não bastassem as condições naturais do País, a produtividade também representa diferencial para o Brasil. Como exemplo, lembra que o país consegue produzir 1,5 litro de etanol de cana-de-açúcar com um litro de água. Já os Estados Unidos demandam 4,5 litros de água para conseguir 1 litro de etanol a partir do milho.

“Se reservarmos 100 milhões de hectares para produzir etanol, apenas utilizando-se a tecnologia convencional, já conhecida hoje, será possível substituir 1,32 trilhão de litros de gasolina, ou seja, toda a quantidade consumida hoje no mundo”, compara Hukai, ao lembrar que, atualmente, só 3,3 milhões de hectares do território nacional são utilizados para fabricar 20 bilhões de litros de etanol.

Nem mesmo a descoberta do campo de Tupi, na Bacia de Santos, deverá tirar o País da rota do etanol, segundo o acadêmico. Muito pelo contrário – como mesmo afirma o professor –, uma vez que deverá servir de estímulo para maior consumo do álcool de cana. “A descoberta de Tupi não altera essa equação. Só fará com que se consuma mais etanol para sobrar mais petróleo, que é um produto mais caro”, avalia Hukai. “Quanto maior for a reserva de Tupi, maior será o estímulo para economizar o petróleo e o gás natural ali existentes”.

Para Hukai o futuro de Cuba é alvissareiro com o etanol. A tendência da Ilha, depois da saída de Fidel Castro do poder, será tornar-se novamente grande plantador de cana-de-açúcar. Ao contrário de antes da revolução, a produção será para etanol e não para o açúcar.

(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 3)(R.M.)

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