Mercado

Aposta no motor flex

Os planos do presidente norte-americano, Barack Obama, de salvar a indústria automobilística e integrar os Estados Unidos a uma nova ordem ambiental passam necessariamente pelo Brasil. Não só pelo fato de o país produzir e exportar o combustível renovável mais barato do mundo — o etanol feito de cana-de-açúcar —, mas também por deter tecnologia para a fabricação de motores flex, intensificar parcerias esquecidas pode representar a saída para boa parte dos problemas econômicos enfrentados hoje pela América.

Obama sabe do papel estratégico do Brasil e por isso não perde tempo. Na segunda-feira, por telefone, disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que é urgente e imprescindível caminhar no mesmo ritmo na área de bioenergia.

Dentro do governo brasileiro, o recado foi entendido como um sinal de que as restrições comerciais ao etanol nacional, que paga uma elevada taxa de importação para entrar no mercado americano, tendem a perder força no médio prazo. A iniciativa privada também comemorou o gesto.

A política de boa vizinhança abre janelas de oportunidade para ambos os países. Se bem aproveitadas, vão tirar a indústria sucroalcooleira do Brasil do atoleiro e, ao mesmo tempo, revigorar as montadoras nos Estados Unidos. Por causa da crise mundial, grandes usinas no Brasil foram à falência ou enfrentam dificuldades para captar recursos. Há um forte movimento de fusões entre as destilarias, e o endividamento do setor já é recorde.

Nos Estados Unidos, a General Motors, uma das montadoras que mais receberam recursos públicos para se manterem de pé, manifestou interesse em fabricar automóveis menos poluentes e mais econômicos. Analistas consultados pelo Correio revelaram que um possível intercâmbio entre a matriz americana e filiais brasileiras da GM para produção de motores flex não é algo improvável.

Era Bush

Considerados prioritários, os diálogos bilaterais no campo energético experimentaram fases de glória e estagnação na era George W. Bush.

Em 2007, por exemplo, quando visitou as instalações da Transpetro — empresa ligada à Petrobras —, em Guarulhos (SP), o então presidente americano assinou memorandos de entendimentos e prometeu avanços conjuntos no desenvolvimento dos biocombustíveis, inclusive programas-piloto a serem desenvolvidos em cooperação triangular com países da América Central, Caribe e África.

Pouco ou quase nada, no entanto, se concretizou. O setor sucroalcooleiro no Brasil reclama do protecionismo e da falta de interesse dos norte-americanos em destravar acordos ainda em gestação.

Grandes empresas dos dois países têm especial interesse em incrementar esse comércio, principalmente aquelas que comercializam créditos de carbono ou contratos de importação e exportação de etanol brasileiro, via Caribe.

Potencialmente, esses dois mercados têm condições de movimentar algo em torno de US$ 300 bilhões por ano, além de serem considerados grandes empregadores de mão-de-obra ao redor do mundo.

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