Mercado

Álcool tipo exportação

No momento em que o álcool se torna vedete no cenário mundial – sendo citado como alternativa energética até mesmo pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush – e que a forte demanda eleva seu preço no mercado interno, a Petrobras dá um passo para intensificar sua atuação no segmento de exportação do produto. A estatal assinou ontem com o governo de Goiás um protocolo de intenções para tornar viável a construção de um alcoolduto que ligará o terminal de Senador Canedo, em Goiás, à refinaria de Paulínia, em São Paulo, com o objetivo de facilitar o escoamento no quinto maior estado produtor do combustível no país. No mesmo dia, o governo divulgou projeções que mostram que as vendas externas do produto triplicarão em dez anos, liderando, assim, o avanço do comércio exterior do país.

Dados do Ministério da Agricultura mostram que as vendas externas do álcool passarão de 2,7 bilhões de litros por ano para 8,5 bilhões de litros por ano, em 2015. Na mesma projeção, a soja, hoje principal produto da pauta, aparece em segundo lugar no avanço das exportações, com alta de 54,6% nos embarques. Segundo o governo, as vendas ao exterior continuarão subindo devido ao crescimento da economia mundial e à redução dos subsídios.

Durante a solenidade de assinatura com o governo de Goiás, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou que a empresa está “construindo um mercado mundial de etanol”. Segundo ele, a Petrobras vai atuar em logística e exportação, sem entrar em produção ou no mercado interno. Só no alcoolduto a estatal aportará R$ 500 milhões.

Ano passado, a estatal iniciou as exportações de álcool com um volume de 50 milhões de litros para a Venezuela. Ainda este ano, serão iniciadas as exportações para a Nigéria. A perspectiva é que as exportações quintupliquem neste ano.

– No plano estratégico da Petrobras, ficou decidido que vamos ser uma empresa de energia. Não estamos focando apenas em petróleo e gás, mas em outras energias renováveis, como álcool e biodiesel – afirmou o diretor da área de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.

Segundo Costa, a Petrobras já está observando novos mercados potenciais para o álcool brasileiro, como EUA, China, Coréia e Índia. A Petrobras criou no ano passado uma joint-venture com uma estatal japonesa para avaliar a logística de exportações de álcool para o Japão. Se o país decidir adicionar à gasolina algo como 5% de álcool – no Brasil, o percentual adicionado é de 25% – as exportações da estatal triplicariam.

– Hoje 80% da produção de álcool estão concentrados em São Paulo, mas é viável ter outros estados com produção significativa – afirmou Costa. A companhia também estuda projetos em Alagoas e Pernambuco e no Sul do país. Goiás é o quinto maior produtor de álcool no Brasil, com produção de 760 milhões de litros por ano. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Álcool de Goiás, Igor Montenegro, o acordo dará maior competitividade ao estado para exportar.

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