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ADM e Alcotra saem às compras no País

A norte-americana Archer Daniels Midland Co. (ADM) e a trading belga Alcotra estão na ponta compradora do setor sucroalcooleiro. As baixas cotações do álcool e a perda de rentabilidade das usinas brasileiras nas últimas safras desvalorizaram os ativos de muitas empresas do setor, tornando-as mais baratas e suscetíveis a ofertas de estrangeiras. “A ADM está muito interessada em investir no Brasil”, disse Domingo Lastra, presidente da empresa no País. “Crise traz oportunidades”, completou após afirmar à imprensa que o grupo pretende adquirir ativos nos setores de açúcar e álcool e na área de alimentos. Segundo o executivo, a desaceleração da economia global, a queda dos preços e a limitação de crédito tornaram os ativos de algumas empresas mais baratas, criando oportunidades para aquisições.

Já no caso da belga Alcotra, são as indústrias já instaladas no B! rasil que estão sendo mais agressivas na busca por contratos. Isso porque a trading revelou que teria cerca de US$ 400 milhões para investir em usinas no País. Uma das interessadas numa possível sociedade é a Infinity Bio-Energy que em seu último balanço semestral, divulgado em setembro passado, apresentou prejuízo de US$ 111 milhões. A Infinity foi fundada pela Kidd & Company (empresa privada americana de investimentos) juntamente com a Worldinvest (consultoria brasileira) e está listada na Bolsa de Londres desde maio de 2006. O grupo já investiu mais de US$ 400 milhões em aquisições estratégicas e no desenvolvimento de novos projetos (greenfields) com foco no Brasil.

A Alcotra tem uma participação de 49% na usina Tabu, na Paraíba e, em 2008, teve frustrada uma tentativa de compra de uma usina do grupo João Lyra. O excesso de oferta de etanol, que já havia reduzida as margens das indústrias nas duas últimas safras, registrou nessa entressafra o menor valor pa! ra o álcool hidratado dos últimos cinco anos. A perspectiva para os próximos meses não é de recuperação. Para Plínio Nastari, consultor da Datagro, os preços do etanol ainda não chegaram ao fundo do poço na atual safra. Segundo ele, as cotações devem voltar a cair nas próximas semanas com o início de operação de mais usinas a partir do final de abril, período em que a maior parte das empresas da região Centro-Sul começa a moagem de cana. Nastari que acredita que alta dos preços registrado nos últimos dias deve se reverter em breve. “Uma maior recuperação nas cotações deve acontecer apenas a partir de junho. Mesmo assim, a expectativa é de que o preço ao produtor do hidratado atinja, no máximo, R$ 0,75 por litro na safra 2009/2010, que é o valor do custo atual de produção”, disse.

Nesse contexto, as usinas localizadas na Região Nordeste do País estão entre as mais prejudicadas já que são, em grande parte, financiadas pelas tradings que também sentem os efeitos da crise internacional. Segundo Eduardo Campos, governador de Pernambuco, com a crise internacional, essa fonte de financiamento secou, deixando quase 200 mil trabalhadores rurais sem garantia sequer de recebimento de salário. “O setor tem, sim, problemas seculares. Mas estamos falando de uma área que representa 70% das exportações do Nordeste”, disse. O saldo de criação de vagas nas usinas de Pernambuco até março foi negativo em 22.252 postos, o pior índice do Brasil. Contando apenas as demissões, o número quase dobra em relação ao primeiro trimestre de 2008.

Na semana passada, Campos se reuniu com a ministra Dilma Rousseff para tratar da crise no setor sucroalcooleiro na região. Para estabilizar a situação do setor nos próximos meses, Campos avalia que serão necessários, cerca de R$ 500 milhões. A ministra, por sua vez, garantiu que o governo federal irá ajudar de alguma forma as usinas da região. O pacote destinado à agroindústria, aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na última semana, determina que 10% dos recursos destinados ao programa de estocagem de etanol, da ordem de R$ 2,3 bilhões, devem ser direcionados à Região Nordeste. A Archer Daniels Midland (ADM) e a belga Alcotra estão na ponta compradora do setor sucroalcooleiro do Brasil.

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