Mercado

Açúcar/álcool: ações da cosan cairam 17% na semana passada

Em um período marcado pelo aumento de capital da Cosan por meio da operação de subscrição privada das ações, os papéis da companhia apresentaram desvalorização de 17,04% na última semana. Peter Ho, analista da Planner Corretora, acredita que os papéis da companhia devem sofrer resistência por parte do mercado até 5 de dezembro, data da assembléia geral.

Ele explica que a convocação para a assembléia da Cosan prevê a discussão sobre o aumento de capital de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,9 bilhões, por meio do repasse do recurso captado com a emissão de mais de 82 milhões de ações ordinárias, o que irá afetar os negócios dos acionistas ordinários, já que os papéis estão perdendo valor.

“Quem vai subscrever o aumento de capital é a Cosan Limited. Isso vai diminuir o poder de influência dos minoritários na empresa, já que a controladora conseguiu reduzir o peso dos acionistas na companhia. Eles vão desistir da oferta de permuta da Cosan pela Cosan Limited, o que estava causando certo atrito, e vão fazer a proposta de aumento de capital. De toda forma, o investidor está perdendo”, avalia Peter.

Marcos Paulo Fernandes Pereira, analista da Fator Corretora, avalia que os papéis da Cosan ficarão na faixa dos R$ 21,00 até a finalização da subscrição, mas pondera que o processo não será prejudicial aos acionistas com menor participação. “O aumento de capital para a Cosan Limited atinge todos os acionistas e os incita a manter a participação. Em tese, o processo não prejudicará os acionistas minoritários, pontua.

O aumento de capital por subscrição privada da Cosan prevê a alteração do estatuto social da companhia para permitir o aumento do capital social da companhia de R$ 1.736.700.000,00 para R$ 2.922.467.328,00, mediante a emissão e subscrição de 82.700.000 ações ordinárias, sendo R$ 21,00 o preço de emissão por ação. A expansão de capital tem como objetivo permitir a contribuição ao capital da companhia de parcela dos recursos necessários ao desenvolvimento dos projetos indicados na destinação dos recursos captados pela acionista controladora direta, Cosan Limited. A alteração beneficiará, por exemplo, o projeto Greenfield, no Estado de Goiás, com a expansão das instalações existentes, co-geração de energia e mecanização das lavouras.

“As ações estão com uma queda acentuada e a realização está intensificada pelo próprio mercado. Desde segunda, a queda está acentuada, então o investidor já está meio receoso sobre o futuro da empresa”, afirma Peter. A Planner e a Fator Corretora devem rever a indicação para as negociações dos papéis da companhia, em função dos últimos acontecimentos.

Sobre o desempenho de outras empresas do segmento sucroalcooleiro na semana, o analista da Fator destaca que a queda de preços sofrida no período não é atribuída ao episódio envolvendo a Cosan. “As ações da São Martinho e da Açúcar Guarani acompanharam a situação do mercado, do cenário geral. As bolsas tiveram uma queda expressiva na semana, as empresas do setor petroquímico também tiveram queda acentuada. O preço do açúcar vem se mantendo e o do álcool tem melhorado um pouco no mercado interno, por causa da entressafra, que está um pouco adiantada, em função de questões climáticas. Não houve nada fora da curva”, comenta.

Peter, da Planner Corretora, salienta que os papéis da São Martinho e da Açúcar Guarani também sofreram desvalorização na semana passada 4,12% e 3,70%, respectivamente , em função da baixa cotação do açúcar no cenário externo. “A São Martinho e a Guarani estiveram mais influenciadas pelo mercado de açúcar, cujo preço deve continuar assim em pelo menos duas safras, já que a India aumentou a produção. Além disso, o mercado europeu está se tornando menos dependente da importação do açúcar, já que a Rússia ampliou a produção por meio da beterraba. Os fatores estão influenciando os preços das ações para baixo”, destaca.

Na última semana, o Ibovespa registrou desvalorização de 5,63%, fechando em 60.970 pontos. Há pouco, as ações da Cosan valorizavam 0,63%, cotadas a R$ 20,68, enquanto os papéis da São Martinho caíam 1,19%, cotados a R$ 20,75. As ações da Açúcar Guarani mantinham-se estáveis, cotadas a R$ 9,70.

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