Mercado

Açúcar alcança a maior cotação em 25 anos em NY

São Paulo, Valorização assusta os empresários que temem desequilíbrio da produção em detrimento do álcool. O preço do açúcar atingiu ontem o seu maior nível em 25 anos na Bolsa de Nova York. O contrato 11 foi cotado a 19,02 centavos de dólar a libra peso, 4,51% mais que no dia anterior. O salto nas cotações, que deverá levar as usinas a concentrar a produção em açúcar em detrimento da oferta de álcool no mercado interno, já preocupa os próprios empresários.

A expressiva alta dos preços na Bolsa de Nova York, que deveria estar sendo comemorada pelo setor, é também motivo de constrangimento para muitas usinas, uma vez que cerca de 20% das exportações brasileiras, estimada em 15 milhões de toneladas, estão amarradas a contratos futuros. Com a posição vendida, a alta das cotações obriga os usineiros a cobrir a diferença, comprometendo fortemente o caixa dessas empresas. Segundo alguns analistas, as usinas fizeram cobertura para garantir preços a 10 centavos a libra peso e hoje estão sendo levados a cobrir pelo menos o dobro desse valor.

Num estimativa preliminar, o diretor da União das Destilarias do Oeste Paulista (Udop), Fernado Perri, calcula que o ganho das usinas com a produção de açúcar, em relação à fabricação de álcool já é de 50%, o que representa um grande atrativo de os produtores abandonarem o mercado doméstico do combustível. O consultor Julio Maria Martins Borges, da Job Economia e Planejamento, lembra porém que as usinas não têm tanta flexibilidade para alterar drasticamente a composição de sua produção. “Existem limites que tem de ser respeitados”, afirmou Borges. Mas, para Perri, mesmo obedecendo a esses limites, a corrida para o açúcar, em detrimento do álcool, pode ser suficiente para “arrebentar” o mercado.

Como representante de classe, Perri diz que se sente no dever de alertar os empresários de que é preciso raciocinar a médio prazo e tentar antecipar os danos que uma atitude precipitada pode causar danos graves ao setor. Essa também é a opinião do consultor Gil Barabach, da Safras & Mercado. Para ele, os preços do açúcar devem se arrefecer em pouco tempo. O início da safra deverá ser motivo suficiente para uma forte queda nas cotações.

A tentativa da Rússia para fechar negócios com açúcar foi a razão da alta dos preços, informou o analista Michael MacDougall, da Fimat. Outra razão foram os números relativos às exportações brasileiras em janeiro. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, o Brasil embarcou 1,017 milhão de toneladas no mês passado, ante 1,2 milhão em dezembro. O volume é também menor do que o apurado em janeiro de 2005.

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