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A arrancadado combustíveldo futuro

A era do petróleo está chegando ao fim e o mundo busca combustíveis alternativos para continuar em movimento. Há experiências com todas as formas possíveis de energia, mas nenhuma se apresenta com tantas possibilidades quanto o álcool. E, nessa seara, a vantagem é toda do Brasil, por muitas léguas de distância. Enquanto outros países engatinham no desenvolvimento da tecnologia da produção agrícola e industrial do álcool combustível, e também na dos motores dos carros que com ele poderão mover-se, o Brasil já consegue produzi-lo em larga escala e por um custo inferior ao da gasolina. Nesse cenário, os setores público e privado brasileiros trabalham em parceria para não perder em essa oportunidade.

Os contratos de exportação de álcool não param de crescer. Está aberta a possibilidade de o País se tornar o maior fornecedor mundial desse combustível que, além de renovável, não joga na atmosfera do planeta o lixo gasoso resultante da queima do petróleo. Em entrevista ao Estado, na página 3, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirma que o álcool é a única alternativa ao fim da era do petróleo e suas vantagens são tão grandes e óbvias que fazem da agroenergia o novo grande paradigma agrícola do mundo. Para o ministro, os produtores brasileiros aprenderam com os erros trágicos do passado, quando praticamente abandonaram o consumidor, e estão prontos para enfrentar o desafio de fornecer a quantidade de álcool necessária para não deixar parados na estrada os seus clientes, no Brasil ou lá fora. Pelos seus cálculos, feitos com base em números da indústria automobilística, em 10 anos

o Brasil terá 8 milhões de veículos bicombustíveis – esses também produto da evolução da indústria do álcool. Se essa expectativa se confirmar, a produção terá de sair dos atuais 14 bilhões de litros por ano para 26 bilhões de litros. Sem considerar a exportação. São milhares de empregos. Isso significará uma demanda adicional de cana-de-açúcar de 1,8 milhão de hectares. Esta edição especial debate alguns dos desafios que precisam ser superados na nova arrancada do álcool brasileiro, 30 anos depois do lançamento do Proálcool.

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