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Lula defende etanol e descarta risco de falta de alimentos

A Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, realizada ontem, em Bruxelas, na Bélgica, foi usada como tribuna para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu convidado de honra, defender o etanol das recentes críticas internacionais sobre destruição ambiental e insegurança alimentar.

Quarta-feira, um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) havia apontado que o aumento da produção de etanol e de biocombustíveis em países em desenvolvimento implicaria a elevação de 10% a 20% no preço internacional dos alimentos – prejudicando países pobres, em especial na África e na Ásia.

Ontem, diante de uma platéia de políticos, empresários e técnicos, Lula garantiu que as seguranças alimentar e energética não são incompatíveis e rebateu as críticas. “A experiência brasileira mostra ser incorreta a oposição entre uma agricultura voltada para a produção de alimentos e outra para a produção de energia”, disse. “A fome no meu País diminuiu no mesmo período em que aumentou o uso de biocombustíveis.”

Lula chegou de Lisboa ao centro Charlemagne, em Bruxelas, onde ocorria o evento, ao meio-dia. Posou para fotos com o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e ingressou no auditório, onde era aguardado como convidado especial. Ao ser chamado a discursar, Lula fez uma contra-ofensiva de 23 minutos aos críticos do etanol. De início, garantiu que a produção de cana-de-açúcar para fins energéticos não oferece risco ambiental à Amazônia. “A produção de cana ocupa 0,4% do território nacional. Essa região fica muito longe da Amazônia, que não se presta a esse plantio.”

A seguir, enumerou exemplos de como o cultivo não implica a perda de lavouras para fins alimentares. Citando São Paulo, maior produtor de cana do Brasil, o presidente afirmou que “houve um aumento da produção agropecuária nas últimas décadas”.

Por fim, enumerou possíveis benefícios mundiais do biocombustível, entre os quais o que chamou de “democracia energética”. “Vinte países produzem energia para cerca de 200 países. Mas, com os biocombustíveis, mais de cem países poderão produzir energia.”

No início da tarde, em breve entrevista à imprensa, Lula respondeu aos economistas que elaboraram o relatório conjunto da OCDE e da FAO. “Esse estudo deveria apresentar quanto os preços dos alimentos subiram depois do aumento do barril de petróleo, de US$ 28 para US$ 70.”

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