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LDC SEV ainda absorve encargo da Santelisa e registra prejuízo

Segunda maior processadora de cana-de-açúcar do Brasil, a francesa Louis Dreyfus Commmodities (LDC) divulgou o primeiro resultado da LDC SEV, empresa resultante da fusão da LDC com a Santelisa Vale. Conforme já esperado pela múlti, o resultado foi negativo em R$ 166,8 milhões, impactado sobretudo pelo prejuízo de R$ 77,39 milhões trazido da Santelisa. Despesas do próprio processo de fusão – que levou nove meses e foi encerrado em 26 de outubro de 2009 – e aumento das despesas financeiras, decorrentes principalmente de pagamento de juros de dívida, também levaram às perdas.

Chuvas durante a moagem e a própria crise da Santelisa Vale, que perdeu muitos fornecedores no ano passado, reduziram o volume processado de cana e também impactaram o resultado, de acordo com especialistas do setor. Em 2008, a divisão de açúcar e álcool da LDC obteve prejuízo de R$ 7 milhões, ainda sem a Santelisa Vale.

Tanto esse como outros números do balanço são pouco comparáveis aos da safra anterior, a 2008/09. Primeiramente, porque se referem aos 12 meses do ano civil 2008 e os divulgados agora foram alterados para o formato “ano-safra” e reúnem 15 meses findos em 31 de março deste ano.

Outro ponto é que os resultados incorporam o desempenho da Santelisa apenas a partir de novembro de 2009, com o agravante de registrar dois períodos de entressafra (janeiro a março de 2009 e de 2010), quando os resultados são menos expressivos que os dos meses de safra.

Segundo estimativas de mercado, a receita líquida da LDC SEV na safra 2009/10 poderia ter facilmente superado R$ 3 bilhões, se os dados da Santelisa valessem a partir de janeiro de 2009 e não a partir de novembro. Mas, o realizado foi R$ 2,429 bilhões, ante os R$ 1,129 bilhão do ano anterior. Boa parte do faturamento foi gerado pela venda de açúcar (R$ 1,155 bilhão) e pela comercialização doméstica de álcool (R$ 1,086 bilhão).

O mesmo ocorreu com o Lajida (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) que foi de R$ 650 milhões nos 15 meses encerrados em 31 de março, mas que poderia atingir R$ 1 bilhão, conforme cálculos do mercado.

As chuvas e a menor disponibilidade de cana de fornecedores da Santelisa fizeram com que a moagem fosse de 32 milhões de toneladas, diante de uma capacidade de processamento de 40 milhões de toneladas. Segundo informações do mercado, a previsão é de que neste ciclo, o 2010/11, iniciado em abril, a empresa processe 38 milhões de toneladas de cana.

No balanço, a LDC SEV apresenta também toda a composição do refinanciamento da dívida do grupo paulista. O passivo total da LDC SEV era, em 31 de março deste ano, de R$ 3,29 bilhões, sendo R$ 904 milhões de curto prazo e, R$ 2,39 bilhões de longo prazo. As parcelas começam a vencer em 2011, sendo que mais da metade do débito de longo prazo (R$ 1, 29 bilhão) tem vencimento concentrado entre 2015 e 2024.

No período, o resultado líquido dos juros (juros de dívidas menos os de aplicações financeiras, por exemplo) foi negativo em R$ 224 milhões, também referente à entrada da Santelisa a partir de novembro de 2009. No próximo ano, a expectativa é de que o pagamento de juros de dívida seja elevado, correspondendo ao período de um ano inteiro.

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