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Já com baixa liquidez, Aralco pode ser afetada por seca

A seca que aflige canaviais em São Paulo está afetando também a qualidade da cana da sucroalcooleira Aralco, já fragilizada financeiramente por um elevado endividamento. Apesar de ainda não ser possível medir as perdas neste momento, fontes ligadas à empresa consideram provável que a moagem do grupo apenas repita em 2014/15 o volume de 5 milhões de toneladas de 2013/14, que ficou abaixo das 6 milhões previstas no início da safra.

Se o cenário se confirmar, a empresa terá novamente uma ociosidade de cerca de 30% em suas quatro usinas localizadas no oeste paulista e capazes de processar 7,2 milhões de toneladas de cana por safra.

Em maio de 2013, o grupo emitiu US$ 250 milhões em bônus para alongar dívidas – antes da emissão, metade do endividamento líquido, na época em R$ 620 milhões, vencia até 2014. Desse total, 60% estavam com os bancos Votorantim (R$ 141 milhões), Credit Suisse (US$ 55 milhões), Itaú BBA (R$ 87,2 milhões) HSBC (R$ 25 milhões) e Pine (R$ 37,6 milhões), que também foram coordenadores da emissão.

Com a operação, 84% da dívida líquida de R$ 965 milhões da empresa ficou no longo prazo, o que aliviou a situação. No entanto, sem geração livre de caixa o grupo tem dificuldade de pagar despesas financeiras, está atrasado na quitação de alguns fornecedores e ainda sem recursos para investir na operação. Segundo fontes, a Aralco, que é sócia da trading Copersucar, está negociando com bancos um empréstimo de cerca de R$ 100 milhões para capital de giro. Procurada, a Aralco não comenta.

Diante da situação de liquidez apertada que a Aralco atravessa, os bônus da sucroalcooleira entraram em queda livre nas últimas semanas, refletindo a maior percepção de risco. Os títulos com vencimento em 2020 eram negociados ontem a apenas 15% de seu valor de face.

Entre gestores de recursos que operam no mercado de bônus, é crescente a expectativa de que a Aralco anuncie uma reestruturação de suas dívidas. Investidores que apostaram nos bônus estão preocupados com os rumos da companhia e afirmam que a Aralco transmitiu “informações desconexas” no processo de emissão dos papéis, segundo fontes de mercado. “Foi uma irresponsabilidade uma empresa com esse perfil fazer uma captação desse porte”, afirma um gestor.

A desvalorização dos bônus da Aralco intensificou-se depois que, em 20 de janeiro, a agência de classificação de riscos Standard & Poor´s rebaixou as notas da companhia. Até então, os títulos eram negociados a aproximadamente 65% do valor de face, nível de preço que já indica forte percepção de risco.

Depois da S&P, a agência de classificação de risco Fitch, também reduziu as notas da sucroalcooleira.

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