Cogeração

Biomassa pode gerar 1,8 mil GWh em energia adicional já em 2021

Neste ano, a capacidade seria algo em torno de 3.500 GWh de energia adicional

Biomassa pode gerar 1,8 mil GWh em energia adicional já em 2021

Em um cenário de escassez de água nas usinas hidrelétricas nas regiões Sudeste/Centro-Oeste do país, as usinas de cogeração a biomassa têm capacidade de gerar uma produção adicional de energia a curto prazo que vai além dos contratos vigentes nos mercados regulado e livre.

Só neste ano, a biomassa conseguiria atingir um total de 1.800 GWh de energia adicional, a partir de julho. Em 2022, este número pode chegar a 3.500 GWh. As estimativas são de levantamento realizado em conjunto pela Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) e a União da Indústria da Cana de Açúcar (UNICA).

O estudo aponta que essa energia adicional pode vir de pelo menos 100 empreendimentos. “Só em 2022, poderíamos gerar o equivalente e a um hidrelétrica de 800 MW em capacidade instalada”, explica o presidente executivo da Cogen, Newton Duarte.

“A complementariedade às hidrelétricas é justamente uma das características da cogeração movida a bagaço da cana. A produção das usinas ocorre justamente no chamado período seco das hidrelétricas, entre abril e novembro. Nesses meses, quando as hidrelétricas não conseguem armazenar água, é justamente quando as usinas a biomassa atingem o pico de sua produção”, destaca o presidente da Cogen.

“É válido lembrar que a cogeração a biomassa de cana-de-açúcar tem contribuído para uma economia de 15 pontos percentuais no nível dos reservatórios das hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que representa o principal mercado consumidor do país”, ressalta Leonardo Caio Filho, diretor de Tecnologia e Regulação da Cogen.

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Newton Duarte, presidente executivo da Cogen

Em diálogo com o governo, a Cogen e a UNICA prepararam um estudo sobre como o setor de biomassa poderia contribuir para elevar a oferta energética e mitigar as dificuldades do País com a falta de chuvas, que reduz a capacidade de geração hidrelétrica. A sondagem foi feita com algumas das principais usinas de cana-de-açúcar, que responderam se teriam condições de ampliar a oferta no atual cenário de escassez de energia hídrica.

Status da cogeração no Brasil

No país, a cogeração conta com 627 usinas com 19,01 GW de capacidade instalada — o que corresponde a mais de 10,8% matriz elétrica brasileira (175,7 GW) e equivale a 1,36 usinas hidrelétricas de Itaipu (14 GW).

Deste total, 62,4% representam a cogeração a partir do bagaço da cana-de açúcar. Já cogeração movida a gás natural ocupa uma fatia de 16,6%. Em terceiro, com 14%, está o licor negro (subproduto do processo de tratamento químico da indústria de papel e celulose). Outras fontes completam o quadro.

A cogeração em operação comercial no Brasil teve um incremento de 115,3 MW de fevereiro maio de 2021, entre novas usinas e ampliações de capacidade instaladas. No ranking por unidades da federação, o Estado de São Paulo lidera a lista com 249 usinas e 6.940 MW instalados, perfazendo 36% do total nacional.

Em segundo está o Mato Grosso do Sul, com 28 usinas e 1.891 MW instalados, correspondendo a 9,4% do país. Entre os cinco setores industriais que mais usam a cogeração estão o Sucroenergético (11.893 MW), Papel e Celulose (2.515 MW), Petroquímico (2.275 MW), Madeireiro (766 MW) e Alimentos e Bebidas (624 MW).

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