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Indústria despenca e derruba PIB do ano

A produção industrial de junho, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou queda de 2,6% ante maio e 2,1% ante junho de 2002, fechando o semestre estagnada em 0,1%. Este declínio da atividade das fábricas, o maior desde dezembro de 2001, poderá derrubar em 0,2 ponto percentual a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) prevista para o ano, declinando de 1,6% para 1,4%, segundo cálculos preliminares do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

“Nós estávamos trabalhando com uma expansão de 1,8% na indústria em geral (transformação e extrativa mineral). Esta indústria é mais ou menos 25% do PIB. Se em vez de crescer 1,8%, o setor tiver um aumento de 1% levará à redução aproximada de 0,2 ponto percentual do PIB, que cairia de 1,6% para 1,4%”, avalia Paulo Levy, diretor do Ipea no Rio.

A LCA Consultores também refez para baixo sua previsão do PIB de 2003 face ao resultado da indústria de junho. “O PIB deve encolher 0,1 ponto percentual, baixando de 1,6% para 1,5%”, contou Francisco Pessoa Faria, responsável pelo cálculo. O novo número do PIB leva em conta uma expansão de apenas 0,5% na indústria de transformação até dezembro e uma queda de 4,9% na construção civil. Faria refez também as projeções para o PIB do segundo trimestre: queda de 0,4% na comparação com o segundo trimestre de 2002, por conta de uma queda da indústria de 3,5% e a construção civil encolhendo 11% no período.

Na análise de Levy, a retração do setor de bens de capital, cuja produção foi a que mais encolheu no período, mostra setores com gargalos muito grandes, como bens de capital para energia cuja produção caiu 33% e para construção, com redução de 28%, sinalizando claramente retração do investimento.

Sílvio Sales, coordenador de indústria do IBGE, considerou a queda de 2,6% na comparação com maio muito significativa e generalizada. “Chamamos a atenção para os dados mais recentes da pesquisa: bens intermediários e bens de capital passam a ter quedas mais acentuadas, informando uma recessão mais aguda na produção de insumos e máquinas. Isto indica um efeito cascata do desaquecimento se espalhando por toda cadeia produtiva”, alertou.

Na comparação com maio, houve redução da produção em 14 dos 20 ramos pesquisados pelo IBGE. Nessa base de comparação, conforme alertou Sales, os bens de capital tiveram a maior taxa negativa de 6,2% e os intermediários, de 2,4%. Os bens de consumo duráveis encolheram 1,7%, enquanto os bens duráveis surpreenderam com aumento de produção de 0,9%. Este comportamento dos bens duráveis foi visto pelo Ipea como “um indicador animador”, sinalizando que com a queda do preço dos alimentos houve espaço para consumo de outros bens, o que poderá começar a reverter o quadro de contração econômica.

Na comparação com junho, os bens de capital apresentaram declínio de 6,4% e os intermediários retraíram 2,6%. Nesta categoria chamou atenção a redução de 8,9 na produção de petróleo e gás natural. A queda decorreu da paralisação para reparos de algumas plataformas da Petrobras, em junho.

Sales considerou a indústria brasileira “tecnicamente em recessão porque houve dois trimestres consecutivos de queda da produção”. No segundo trimestre ante o primeiro a produção industrial caiu 2,6% e, no primeiro ante o ultimo trimestre de 2002, declinou 1%.

Economistas de grandes bancos não se surpreenderam com o resultado da indústria. Alexandre Schwartsman, do Unibanco, pretende manter sua previsão de crescimento do PIB de 1,3% este ano, pois já trabalhava com expectativa de queda mais acentuada da indústria no segundo trimestre em relação ao primeiro. O economista senior do banco Itaú, Joel Bogdanski só pretende rever sua projeção de 1,55% para o PIB no mês que vem. Ele vai esperar sair o dado oficial do PIB do segundo trimestre, que potencializa mais o resultado final do PIB.

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