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Impasse entre usinas e plantadores de cana

Permanece o impasse entre indústria e plantadores de cana sobre o valor pago pela tonelada do produto. A tentativa de acordo com base em dados levantados por duas empresas de consultorias independentes, sendo uma contratada pela indústria e outra pelos produtores de cana, resultou em impasse. Os valores apurados foram considerados discrepantes entre si, e por isso, inadequados para a definição de novos critérios para a fixação de preço para a matéria prima. A solução negociada entre as partes foi pela contratação de uma terceira empresa de consultoria que tentará conciliar as informações para que se possa chegar a uma fórmula final.

Sem a definição de novos critérios para o cálculo do preço, a renda dos plantadores de cana permanece insuficiente para mantê-los na atividade, segundo acredita o presidente da Orplana (Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil), Manoel Ortolan. Os plantadores de cana receberam em julho entre R$ 29,00 e R$ 31,00 por tonelada, valor que, para Ortolan, não remunera a produção. Sem um desfecho favorável aos agricultores, a tendência do setor sucroalcooleiro será a da verticalização da produção.

Com isso, a indústria tenderá a ampliar suas lavouras de cana em detrimento dos plantadores independentes, que optarão por arrendar suas propriedades para as próprias usinas, uma vez que a receita pela atividade está deixando de se tornar atraente, afirma o presidente da Orplana. Segundo Ortolan, o arrendamento de terras em regiões de elevada produção de açúcar e álcool, como a de Ribeirão Preto, a receita pelo arrendamento de áreas agricultáveis chega a 60 toneladas por alqueire paulista (2,42 hectares). Se a propriedade estiver localizada em áreas menos concorridas, como Araçatuba, a remuneração pelo arrendamento é de 35 toneladas por alqueire paulista.

Segundo o representante dos plantadores, o rendimento de um alqueire de cana é de entre 180 a 200 toneladas de cana, o que significa que o agricultor recebe cerca de 30% do valor da produção sem correr risco algum. Para Ortolan, essa não é a situação ideal, já que os produtores deixarão de participar dos ganhos previstos para o setor, com a expansão dos mercados de açúcar e do álcool.

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