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IBGE aponta acomodação da produção industrial em agosto

A produção industrial recuou 0,4% em julho em relação a junho, quebrando uma trajetória de nove expansões consecutivas na comparação com o mês anterior. A queda não preocupa economistas e o chefe da coordenação de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, que considera o resultado uma “acomodação”. Na comparação com julho de 2006, a produção cresceu 6,8%, o melhor resultado apurado desde dezembro de 2004. “Não há nenhum sinal amarelo no conjunto de indicadores (da economia) que leve a acreditar que vá perdurar essa tendência (de queda)”, observou Sales.

Segundo o economista, resultados recentes do comércio varejista, de produção automobilística, de vendas industriais, utilização de capacidade e expectativa de empresários “são favoráveis a uma trajetória positiva no nível de atividade, puxada pela demanda interna”. Enquanto a produção de alimentos e refino de petróleo puxou a queda ante mês anterior, o bom desempenho dos bens de consumo duráveis, sobretudo automóveis, garantiu a expansão ante julho do ano passado.

FATORES PONTUAIS. Para Sales, os fatores que levaram ao recuo na comparação com junho são pontuais, enquanto a continuidade do crédito, aliada ao alongamento dos prazos de financiamento, garantiiu a expansão nos demais indicadores. No acumulado de janeiro a julho, a produção cresceu 5,1% e, em 12 meses, aumentou 4,2%.

O economista da Itaú Corretora, Maurício Oreng, disse ver com naturalidade a redução do ritmo da produção industrial em julho ante junho. “Não é porque estamos em uma trajetória de crescimento que a indústria terá de acelerar o ritmo todos os trimestres”, disse. Marcela Prada, da Tendências Consultoria, considera a queda “apenas uma acomodação da produção em patamar elevado”.

Para Cassiana Yumi Hernandes, economista da Mauá Investimentos, os números da indústria confirmam o crescimento do setor, “mas sem explosão”.

Entre os segmentos que puxaram para baixo os resultados na comparação com mês anterior, os alimentos registraram queda de 2,5% na produção, influenciada, sobretudo, pelo açúcar, o que Sales acredita poder estar relacionado a algum deslocamento de período de safra. No refino de petróleo (-3,5% em julho ante junho), Sales disse que os dados de comércio exterior mostram que o abastecimento de derivados de petróleo no mercado doméstico está ocorrendo mais via importação do que produção interna.

Além disso, segundo o economista, em julho houve paralisação técnica em uma refinaria, o que pode ter afetado esse resultado. A acomodação da indústria em julho não inverteu a curva ascendente de investimentos. Para Sales, os dados da produção de bens de capital em julho, com “crescimento generalizado de dois dígitos”, aliados ao crescimento das importações, “mostram ambiente positivo de investimentos”.

Houve queda de 1,3% na produção de bens de capital em julho ante junho, mas aumento de 19% na comparação com julho do ano passado. Ante igual mês de 2006, houve expansão em todos os subsetores dessa categoria. Sales sublinhou que, no acumulado de janeiro a julho deste ano, as importações de bens de capital como um todo cresceram 26% ante igual período do ano passado, com destaque para maquinaria industrial e partes e peças para bens de capital para indústria.

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