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IAC desenvolve indicador para investimentos em combate de incêndios

Em 2020, foram investidos R$ 228 milhões para evitar e combater o fogo

O Programa Cana IAC desenvolveu o Indicador de Investimentos em Ações de Prevenção e Combate de Incêndios em Canaviais.

O objetivo foi mensurar o investimento estimado na prevenção e controle de incêndios e o número de funcionários envolvidos em áreas de cana-de-açúcar, usando para isso uma amostra de 2020.

A pesquisa do Instituto Agronômico, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, levantou informações junto a 93 unidades produtoras de açúcar, etanol e energia na região Centro-Sul do Brasil. No total, foram amostrados 3,3 milhões de hectares de área cultivada, isto é, um terço da área total de cana no país. Para a área pesquisada, foram investidos R$ 228 milhões na prevenção e combate a incêndios. O setor foi ouvido no período entre 28 de setembro de 2020 a 05 de outubro passado.

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“Extrapolando para todo o Brasil teríamos um investimento de R$ 690 milhões e o uso de 16.000 funcionários nessa atividade; as informações levantadas demonstram o enorme esforço realizado pelas unidades produtoras na prevenção e controle de incêndios nos seus canaviais”, avalia o consultor do Programa Cana IAC, Rubens Braga Junior.

Marcos Landell, do IAC

Esses números variam de acordo com a região canavicultora. Na região Centro-Sul, o investimento médio foi de R$ 69,42, por hectare, e o uso de mão de obra foi de 1,55 funcionário, por mil hectares. Para a pesquisa, o Centro-Sul foi subdividido nas regiões Norte e Sul.

O estudo mostrou uma nítida diferença de investimento entre esses dois polos. Na região Norte o investimento médio foi de R$ 86,42, por hectare, e o uso de mão de obra de 1,57 funcionário, por mil hectares. Na Região Sul, onde há maior incidência de chuvas, são feitos os menores investimentos, totalizando o valor médio de R$ 44,38, por hectare, e o uso de 1,53 funcionário por mil hectares.

A região Norte inclui os estados do Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Tocantins e no estado de São Paulo, Araçatuba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, onde o clima pode ser considerado mais árido, com um regime de chuvas menos intenso. A região Sul envolve os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e no estado de São Paulo, as regiões de Assis, Piracicaba e Jaú.

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“É interessante observar como o investimento está totalmente associado com o clima da região estudada. Na região Sul, onde o clima é mais ameno, o investimento médio é de R$ 44,38, por hectare, enquanto na região Norte, muito mais seco, o investimento praticamente dobra para R$ 86,42, por hectare”, comenta Braga Junior.

No estado de São Paulo, os incêndios chamados florestais, que ocorrem em qualquer forma de vegetação, são mais frequentes no período de junho a outubro. Agosto e setembro reúnem o maior número de ocorrências. Na região de Ribeirão Preto houve vários incêndios nesse período de seca em 2020. Lá, em um único dia de agosto foram registrados três grandes incêndios.

Dentre as conclusões dessa pesquisa, ficou evidente que o incêndio no canavial prejudica o setor sucroenergético, segundo Marcos Guimarães de Andrade Landell, líder do Programa Cana IAC. Por isso são feitos investimentos justamente para eliminar o risco de queimadas, desde que essa prática foi restringida há mais de uma década. Desde então, quando ocorrem incêndios em áreas de cana, grandes prejuízos são amargados pelos canavicultores.

“Dentre as perdas estão a redução da brotação do futuro canavial e a perda de longevidade dos mesmos, além da mudança de todo o cronograma da colheita e as perdas de operações de cultivo já realizadas, como adubação e controle de ervas daninhas”, completa Landell. Além disso, os incêndios prejudicam o solo, a fauna e a flora. Assim, a criação do índice, se deveu a número expressivo de incêndios, especialmente em um ano tão seco como tem sido 2020.

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A ideia de elaborar esse indicador foi desenvolvida junto ao setor sucroenergético. Para realizar a pesquisa, Landell estabeleceu contatos com diversas unidades agroindustriais, com associações de plantadores de cana e com a Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto (ABAG-RP), que tem adotado ações educativas sobre incêndios, especialmente, os considerados criminosos.

“Esses contatos tinham como objetivo entender e dimensionar o tamanho desse esforço envidado pelo setor sucroenergético para a prevenção e o combate aos incêndios; desta forma, tentando quantificar este esforço, sugerimos uma pesquisa junto ao setor e alcançamos a expressiva amostra de 3,3 milhões de hectares”, explica Landell.

O indicador pode ser utilizado pelo próprio setor para apresentar à sociedade o esforço feito para produzir com sustentabilidade ambiental.

 

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