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Governo estuda financiar estoque de álcool

O governo estuda financiar produtores de álcool para que eles estoquem o produto e, dessa forma, evitem as oscilações fortes no preço do combustível, que acontecem nos períodos de safra e de entressafra. Caso a medida se concretize, o financiamento virá por meio de linha de crédito do BNDES.

Segundo a Folha apurou, já houve aprovação da ideia no Cima (Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool) e a medida agora está sendo trabalhada em nível de detalhamento operacional. Ontem houve reunião entre técnicos da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e do Ministério de Minas e Energia na qual o assunto foi discutido. O ministro Guido Mantega (Fazenda) se reuniu em São Paulo com representantes do setor sucroalcooleiro para debater o tema.

A preocupação do governo com a alta do preço do combustível renovável levou à redução da mistura do álcool na gasolina. Na segunda-feira, a proporção de álcool anidro misturada à gasolina cai de 25% para 20%. Durante 90 dias, o álcool que não for usado na gasolina será transformado em álcool hidratado e vendido nos postos para abastecer carros “flex”.

O objetivo é criar um choque de oferta: com mais álcool no mercado, a alta de preço deverá ser contida (visão do governo) ou atenuada (visão dos distribuidores de combustíveis).

A modificação, no entanto, levará a uma alta no preço da gasolina, estimada por técnicos do próprio governo em aproximadamente 2%, e pelo mercado entre R$ 0,04 e R$ 0,05 por litro.

Isso acontece porque, mesmo com a alta de preços, o álcool é mais barato que a gasolina, e, quanto menos álcool na gasolina, mais cara ela fica. Além do efeito econômico, a redução de álcool na gasolina trará prejuízo ambiental: rodando com gasolina com menos álcool, os veículos emitirão mais monóxido de carbono.

Alta

Além da entressafra, o excesso de chuvas prejudicou a colheita da cana, matéria-prima do álcool. As máquinas demoraram a entrar nas plantações, e o rendimento da planta foi menor. Isso resultou em uma menor produção de álcool, mesmo com uma safra maior.

Desde o início do ano já não é mais vantajoso abastecer com álcool em São Paulo. De acordo com a ANP, o preço do álcool subiu de R$ 1,670 por litro nas bombas dos postos paulistas na semana iniciada em 27 de dezembro para R$ 1,823 na que começou no dia 17.

Como o preço médio do litro da gasolina está em R$ 2,459, a relação entre o custo da gasolina e do álcool ficou em 74%. Os especialistas afirmam que só é melhor usar álcool quando o produto custa até 70% do valor da gasolina.

O consumodo combustível renovável caiu até 35% neste ano, diz o Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo).

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